Minas Gerais deve produzir 33,4 milhões de sacas de café arábica em 2026, volume 32,5% superior ao registrado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em 2025. O aumento da oferta ocorre em um momento de transformação do mercado, com expectativa de acomodação dos preços e crescimento do interesse de consumidores mais jovens pela bebida.
Os dados são do Sindicato da Indústria do Café do Estado de Minas Gerais (Sindicafé-MG), com base em levantamento do Sistema Faemg Senar. As informações foram divulgadas pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) em razão do Dia Internacional do Café, celebrado nesta quinta-feira (1º).
Segundo o presidente do Sindicafé, Sergio Meirelles, a maior oferta pode contribuir para reduzir os preços e estimular novamente o consumo. Em 2025, o café chegou a ser encontrado entre R$ 60 e R$ 80 o quilo no varejo, conforme relatado pelo sindicato.
“Com preços mais acessíveis, temos condições de recuperar consumo e, ao mesmo tempo, avançar na qualidade”, afirmou Meirelles.
Jovens ampliam interesse pela bebida
Além do aumento da produção, o setor identifica mudanças no perfil de parte dos consumidores. De acordo com Meirelles, o café vem conquistando espaço entre pessoas mais jovens, inclusive aquelas que mantêm uma rotina associada à prática de atividades físicas e à alimentação balanceada.
As cafeterias também passaram a ocupar um espaço maior como ambientes de convivência. Ao mesmo tempo, consumidores demonstram interesse crescente pela origem dos grãos, qualidade, torra e diferentes métodos de preparo.
“Hoje vemos jovens conversando sobre café até na academia, perguntando qual café o outro toma e querendo experimentar produtos diferentes. O café passou a fazer parte de novos momentos de convivência”, afirmou o presidente do Sindicafé.
Para Meirelles, a familiaridade com produtos de maior qualidade faz com que o consumidor passe a identificar diferenças de aroma e sabor.
“Quando a pessoa aprende a tomar um café melhor, dificilmente quer voltar para um café de qualidade inferior. Nosso desafio é oferecer cada vez mais qualidade, mas mantendo o produto acessível”, disse.
Projeto busca aumentar produtividade no campo
A FIEMG também mantém ações voltadas ao desenvolvimento da produção rural por meio do IndustriAgro, projeto desenvolvido pelo SENAI Minas Gerais em parceria com o Sebrae.
Lançada em 2024 a partir de um protocolo de intenções entre as instituições, a iniciativa começou em propriedades do Triângulo Mineiro, incluindo fazendas produtoras de café, e posteriormente chegou às regiões Norte, Noroeste e Centro-Oeste de Minas.
Segundo Ana Luiza Silveira, coordenadora do IndustriAgro e gerente de Eficiência Operacional Industrial do SENAI MG, o projeto oferece consultorias e capacitações tecnológicas diretamente nas propriedades rurais.
“O projeto oferece a produtores rurais consultorias especializadas e capacitações tecnológicas nas propriedades, o que nos permite diagnosticar falhas, reduzir custos e otimizar a eficiência dessas localidades”, explicou.
A metodologia utiliza ferramentas aplicadas no setor industrial, entre elas conceitos de manufatura enxuta, com foco na redução de desperdícios, aumento da produtividade e melhoria contínua dos processos.
Com a previsão de uma safra maior em 2026 e a expansão do interesse por diferentes tipos e preparos da bebida, a indústria busca acompanhar as mudanças no comportamento do consumidor enquanto trabalha para ampliar a eficiência da cadeia produtiva do café em Minas Gerais.
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