Nesta segunda-feira, 1º de junho, a Petrobras implementou uma significativa redução de 14,2% no preço do querosene de aviação (QAV), equivalente a uma diminuição de R$ 0,93 por litro nas suas refinarias. Esta medida, que posiciona o valor do combustível entre R$ 5,48 e R$ 5,69 por litro, visa atenuar o cenário de elevação das cotações internacionais, beneficiando diretamente as companhias aéreas e seus custos operacionais.
A precificação do QAV é definida mensalmente pela Petrobras, sempre no primeiro dia do mês. A atual queda marca a primeira reversão de tendência após uma sequência de três aumentos consecutivos, incluindo um expressivo reajuste de 55% registrado em abril.
Essencial para o setor, o querosene de aviação é um derivado do petróleo utilizado para abastecer aeronaves como aviões e helicópteros. Conforme dados da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), este combustível representa uma parcela substancial, cerca de 45%, dos custos operacionais totais das companhias aéreas.
Contexto da escalada de preços
Desde o início do ano, o QAV acumulou uma alta de 54,5%, ou R$ 1,98 por litro. Os reajustes observados em abril e maio foram atribuídos, principalmente, aos impactos do conflito no Oriente Médio.
Este cenário bélico levou ao bloqueio do Estreito de Ormuz, uma rota marítima crucial entre os golfos Pérsico e de Omã, por onde transitava aproximadamente 20% da produção global de óleo e gás antes da escalada dos conflitos.
A Petrobras esclareceu que a recente redução de junho reflete uma "atenuação do cenário de elevação das cotações internacionais", indicando uma mudança nas condições do mercado global.
A política de preços da estatal, baseada em uma "fórmula paramétrica contratual", atua como um mecanismo de amortecimento no curto prazo. Essa abordagem resulta em reajustes mais moderados em comparação com as flutuações do mercado internacional.
A companhia ressalta que, enquanto no mercado internacional os preços podem ser ajustados diariamente, o acumulado dos reajustes no Brasil tem sido inferior. Isso reforça a competitividade do preço do QAV praticado pela Petrobras.
Manutenção do parcelamento e abastecimento
Mesmo com a nova política de preços, a Petrobras assegurou que manterá a opção de parcelamento para a compra do QAV em seis parcelas mensais. Essa modalidade foi introduzida em abril, paralelamente ao reajuste daquele mês.
Segundo a empresa, o parcelamento "contribui para diluir o impacto financeiro ao longo do tempo, favorecendo a adaptação gradual às novas condições de mercado".
A estatal também garantiu que os volumes de QAV solicitados pelas distribuidoras para o mês de junho estão confirmados, afastando qualquer risco de desabastecimento no mercado.
Apoio governamental ao setor aéreo
O QAV integra um conjunto de medidas governamentais destinadas a conter a escalada dos preços de derivados do petróleo, abrangendo também o óleo diesel, a gasolina e o gás de cozinha.
No último sábado, dia 30, o governo federal estendeu por mais dois meses a desoneração do PIS/Cofins sobre o QAV. Este alívio tributário, instituído em abril, agora vigorará até 31 de julho.
Adicionalmente, as companhias aéreas foram beneficiadas com um período de carência para o pagamento das tarifas de navegação aérea, devidas à Força Aérea Brasileira. Os valores referentes aos meses de julho, agosto e setembro terão o vencimento prorrogado para dezembro.
Estrutura da cadeia de comercialização
A Petrobras atua na comercialização do QAV, seja ele produzido em suas refinarias ou importado, diretamente para as distribuidoras. Estas, por sua vez, são responsáveis pelo transporte e pela venda do combustível a companhias de transporte, outros consumidores finais em aeroportos e revendedores.
Embora a estatal detenha aproximadamente 85% da produção de QAV, o mercado permanece aberto à livre concorrência, permitindo que outras empresas atuem como produtoras ou importadoras sem restrições.
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