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Terça-feira, 26 de Maio 2026
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Nova NR-1 amplia foco das empresas na saúde mental

Norma passa a exigir gestão de riscos psicossociais e acelera mudanças estruturais; empresas como o Grupo Amil já se anteciparam

Redação RCWTV
Por Redação RCWTV
Nova NR-1 amplia foco das empresas na saúde mental
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A saúde mental entra de vez na agenda estratégica das empresas brasileiras. A partir de 26 de maio de 2026, organizações de todo o país passam a ser fiscalizadas conforme a nova redação da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que amplia o escopo da gestão de saúde e segurança ao incluir, de forma explícita, os riscos psicossociais. Empresas como o Grupo Amil já vinham se preparando para uma mudança que agora se torna obrigatória.

Na prática, fatores como estresse, assédio, burnout e violência no ambiente de trabalho passam a integrar o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). A atualização desloca o foco do indivíduo para a organização e pressiona empresas a revisarem estruturas, processos e relações de trabalho como forma de prevenir adoecimentos.

“Essa mudança exige mais do que adequação técnica. Implica transformação cultural, com protagonismo das lideranças. Gestores passam a ter papel central na construção de ambientes mais saudáveis, o que envolve reavaliar cargas de trabalho, fluxos e dinâmicas de equipe. O desafio é equilibrar produtividade e bem-estar, entendendo que ambos são interdependentes”, afirma o vice-presidente de pessoas do Grupo Amil, Ricardo Burgos.

Dados como ponto de partida

Antes mesmo da atualização da norma, o Grupo Amil estruturou, a partir de 2021, uma estratégia baseada em dados para monitorar a saúde mental de seus colaboradores. O ponto de partida foi a aplicação de instrumentos com validação internacional, como o PROMIS e o HSE Indicator Tool (softwares de avaliação de saúde baseada em resultados relatados por pacientes), posteriormente incorporados à pesquisa de experiência do colaborador.

Com mais de 100 mil formulários aplicados, a empresa consolidou uma base robusta, combinando resultados de questionários com indicadores como absenteísmo, afastamentos e atendimentos ambulatoriais.

O acompanhamento contínuo permitiu mapear, ao longo do tempo, os impactos da pandemia e a evolução dos fatores de risco, explica o gerente de saúde ocupacional, segurança do trabalho e meio ambiente do Grupo Amil, Eduardo Morbin.

“Durante o período mais crítico da pandemia, houve comprometimento transversal da saúde mental, atingindo diferentes áreas de forma semelhante, com destaque para ansiedade, depressão, isolamento social e luto. A partir de 2023, com o avanço da vacinação e a continuidade das ações, surgiram sinais de melhora, especialmente em ansiedade e isolamento, embora a depressão ainda permaneça como desafio relevante. Nos anos seguintes, o perfil dos riscos mudou. Questões antes associadas à vida pessoal passaram a ter maior relação com o ambiente de trabalho, com crescimento de fatores como estresse, sobrecarga e condições organizacionais”, acrescenta ele.

Liderança no centro da mudança

Os aprendizados reforçaram a importância de diferenciar fatores laborais e extralaborais e evidenciaram o papel estratégico das lideranças. Indicadores como estresse e esgotamento oscilaram historicamente entre 8% e 12%, com influência direta de clima organizacional e carga de trabalho.

“A principal frente é o aculturamento das lideranças. É fundamental que gestores entendam seu papel não apenas na gestão de processos, mas também no bem-estar das equipes. Isso pode envolver revisão de carga de trabalho, organização das atividades e outras mudanças estruturais. Identificamos setores com maior nível de risco psicossocial e atuamos de forma específica nessas áreas. O Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho realiza o diagnóstico e apresenta os dados para as lideranças locais, que são responsáveis por planos de ação, sempre com suporte técnico”, destaca Morbin.

Para ele, o principal desafio daqui para frente é sustentar o equilíbrio entre desempenho e cuidado. “Esses dois aspectos precisam caminhar juntos. Um ambiente saudável que não é produtivo não se sustenta. E um ambiente produtivo que não é saudável também não se mantém no longo prazo. O desafio é consolidar essa cultura em todos os níveis da organização”, complementa.

Morbin reforça ainda uma premissa que ganha força com a nova NR-1, de que saúde mental deve ser tratada como qualquer outra condição de saúde. “Depressão não é fraqueza, mas uma doença que exige cuidado e tratamento. Nenhum colaborador pode ser prejudicado por estar doente”, enfatiza.


Website: https://institucional.amil.com.br/
FONTE/CRÉDITOS: DINO

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