A Fundação Museu Mariano Procópio (Mapro) lança nesta segunda-feira, 29, mais um vídeo educativo com a historiadora Cláudia Viscardi, professora da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Dando sequência ao primeiro trabalho, quando abordou o contexto social, econômico e político que levou à proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, no novo vídeo, a pesquisadora questiona o uso do termo “República Velha”. O material está disponível no YouTube do Museu Mariano Procópio , podendo ser conferido também no Instagram @museumarianoprocopio e no Facebook @museu.marianoprocopio.
Com a explanação, a educadora busca promover uma postura crítica diante das nomenclaturas que designam períodos históricos. “Como historiadora, prefiro adotar termos neutros, como Primeira República e Segunda República”. Cláudia explica que os nomes dados às diferentes épocas da história geral e brasileira quase sempre são norteadas por acontecimentos políticos. Os critérios de separação dos tempos não fazem referência às mudanças econômicas ou acontecimentos sociais e culturais, por exemplo.
No caso específico do nome “República Velha” (1889 a 1930), a historiadora explica que, com a chamada Revolução de 1930, o objetivo da Era Vargas era desqualificar o período anterior, marcando uma ruptura. “A partir da ideia de que o velho pode ser descartado, criou-se a nomenclatura ‘República Velha’, como forma de desqualificar o passado. Porém, na verdade, não há muita diferença entre os períodos pré e pós 30. Antigas oligarquias e políticos continuaram em cena. Houve mais continuidade que ruptura.”
Graduada em História pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Cláudia Viscardi tem mestrado em Ciência Política pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), doutorado em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Pós-doutorado na Manchester Metropolitan University (Manchester - Reino Unido), na Universidade de Lisboa e na Unirio. É professora titular da UFJF e do Programa de Pós-graduação em História. Entre 2002 e 2006, foi Pró-reitora de Pesquisa da UFJF.
FONTE/CRÉDITOS: Imprensa PJF