A exoneração do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, foi publicada, nesta quarta feira, 23, no Diário Oficial da União.
O ex-ministro alegou que deixou o cargo por motivos familiares. Ele é alvo de inquérito, autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a pedido da Procuradoria Geral da República (PGR), por supostamente ter atrapalhado investigações sobre apreensão de madeira. Ele nega ter cometido irregularidades.
"Para que isso (investigação) seja feita de forma mais serena possível, apresentei minha exoneração", disse Salles ao justificar o pedido em coletiva no Palácio do Planalto.
A demissão do ministro acontece também no dia em que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado apertou o cerco ao Executivo e ao valor pago na compra de vacinas da Covaxin, comprada pelo Governo Federal por valor dez vezes maior, em relação ao valor anunciado a seis meses.
Quem assume o cargo de Ministro do Meio Ambiente é Joaquim Alvaro Pereira Leite , nomeado por Jair Bolsonaro, no mesmo decreto. Leite é ex-conselheiro de uma entidade ruralista, a Sociedade Rural Brasileira (SRB) a 23 anos, e já ocupou outros cargos diretivos. A SRB apoia a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), conhecida como bancada ruralista e já se posicionou publicamente em apoio a Salles. Atualmente, Leite atuava como secretário de Florestas e Desenvolvimento Sustentável no próprio Ministério do Meio Ambiente.
Salles
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Durante o governo da pasta, Salles foi envolvido em polêmicas, entre elas, a reunião ministerial, ocorrida em 22 de abril de 2020, em que o ex-ministro sugeriu que o governo aproveitasse a pandemia de Covid-19 para "ir passando a boiada", em relação a modificar regras ambientais.
Atualmente, Salles é investigado por uma suposta participação do ex-ministro em esquemas para a exportação de madeira ilegal, bem como pressão de organismos internacionais para que o País reveja a política de combate ao desmatamento. Em seu comando, o pais atingiu records de desmatamento e desmontes no órgão de fiscalização ambiental.
Na última semana, negociações bilaterais sobre questões ambientais entre Brasil e Estados Unidos foram suspensas, o que acendeu o "sinal amarelo" entre autoridades e parlamentares para os riscos de sanções econômicas. Para a presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Kátia Abreu (PP-TO), o congelamento das conversas tem relação com as investigações contra o ex-ministro e com a paralisia no combate ao desmatamento.
Durante cerimônia de lançamento Plano Safra 2021/2022 na terça-feira, 22, o presidente Jair Bolsonaro fez diversos elogios à conduta do seu ex-ajudante. Segundo o presidente, o casamento da Agricultura com o Meio Ambiente foi "quase perfeito". "Parabéns Ricardo Salles. Não é fácil ocupar o seu ministério. Por vezes, a herança fica apenas uma penca de processos. A gente lamenta como por vezes somos tratados por alguns poucos deste outro Poder Judiciário", completou na ocasião.
Fonte: Terra