O fortalecimento da cafeicultura mineira por meio da inovação tecnológica e da cooperação internacional foi tema de uma reunião realizada nesta quinta-feira (22/01), na sede da Emater-MG, em Belo Horizonte. O encontro reuniu representantes do Governo de Minas, da Universidade Federal de Minas Gerais e de uma missão da República Tcheca para avaliar a possibilidade de parceria com o Projeto Comunidade, desenvolvido pela Universidade Tcheca de Ciências da Vida.
A proposta do encontro foi promover o intercâmbio de experiências e discutir uma cooperação tecnológica com foco no uso de inteligência de dados geoespaciais para fortalecer a cafeicultura, ampliar a sustentabilidade ambiental e apoiar o planejamento territorial em Minas Gerais.
Durante a reunião, a embaixadora da República Tcheca no Brasil destacou que o café brasileiro é amplamente reconhecido em seu país e afirmou que a experiência acumulada pela universidade europeia pode contribuir para iniciativas de desenvolvimento sustentável em diferentes regiões. Segundo ela, a missão teve como objetivo avaliar possibilidades de colaboração em projetos científicos nas áreas da agricultura e do meio ambiente, com base em experiências já desenvolvidas na América Latina.
Técnicos e pesquisadores europeus apresentaram o Projeto Comunidade, plataforma aplicada atualmente na Colômbia e no Chile, que integra dados de satélite e informações territoriais para subsidiar decisões na agricultura, na gestão de recursos hídricos e na mitigação de riscos climáticos. A ferramenta busca oferecer aos produtores e às instituições uma visão mais precisa do território, contribuindo para ganhos de produtividade e maior resiliência das lavouras.
Representantes do Governo de Minas destacaram que, a partir das experiências internacionais, o projeto avalia como essas soluções podem apoiar produtores e comunidades rurais brasileiras diante de desafios como doenças do café, estresse hídrico, incêndios e erosão do solo.
Durante o encontro, a Emater-MG apresentou iniciativas já consolidadas no estado, como o mapeamento do parque cafeeiro mineiro, iniciado em 2016. O trabalho utiliza imagens de satélite com validação em campo em 460 municípios produtores e envolve o processamento e a disponibilização de dados por meio de um geoportal. A iniciativa permite maior precisão nas estimativas de safra, melhora o acompanhamento da produção estadual e possibilita identificar a localização de cafés diferenciados e sua relação com os territórios de produção.
Também foi apresentada a plataforma Selo Verde MG, ferramenta pública e gratuita desenvolvida pela UFMG em parceria com o Governo de Minas, que amplia a rastreabilidade e atesta a conformidade ambiental das cadeias produtivas. De acordo com os dados apresentados, mais de 90% das propriedades cafeeiras mineiras não possuem produção associada ao desmatamento.
Ao final da reunião, a Emater-MG anunciou a criação de um grupo de trabalho com a participação de instituições mineiras, universidades e representantes do Projeto Comunidade. O objetivo é aprofundar os debates técnicos e avaliar como a parceria internacional pode ser efetivada, especialmente no enfrentamento das mudanças climáticas e na promoção da sustentabilidade das lavouras de café.
O encontro contou ainda com a presença de representantes de instituições públicas, universidades, cooperativas e entidades ligadas ao setor cafeeiro, tanto do Brasil quanto da Colômbia.
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