O microempreendedorismo na Zona da Mata mineira se consolidou como um dos principais motores do desenvolvimento econômico local, promovendo inclusão produtiva e formalização. Segundo um estudo do Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência da Fecomércio MG, com dados de 2026, cidades como Juiz de Fora, Ubá e Visconde do Rio Branco concentram expressivo volume de pequenos negócios que fortalecem o setor terciário regional.
Juiz de Fora ocupa a quarta posição no ranking estadual em volume absoluto de microempreendedores individuais (MEIs), somando 59.136 registros ativos. No polo moveleiro de Ubá, há 7.974 MEIs, o que representa 7,42% da população local. Já Visconde do Rio Branco contabiliza 2.799 inscrições ativas, equivalentes a 6,88% dos habitantes da cidade.
Segundo o economista da Fecomércio MG, Henrique Braga, a alta concentração de negócios reflete a vocação empreendedora local. 'O MEI tornou-se uma ferramenta fundamental de cidadania empresarial e desenvolvimento local. Na Zona da Mata, a presença marcante de comércio e serviços garante capilaridade ao mercado e estimula o giro financeiro nos bairros', destaca Braga.
Perfil dos empreendedores e setores em destaque
O levantamento da Fecomércio MG revelou que a distribuição demográfica e setorial do trabalho autônomo na região mantém características bem definidas:
- Distribuição por gênero: Em Ubá, os homens representam 54,72% dos MEIs e as mulheres 45,28%. Em Visconde do Rio Branco, a proporção é de 55,13% de homens e 44,87% de mulheres.
- Faixa etária: A maior concentração de cadastros ocorre entre 21 e 50 anos (73,71% em Ubá e 74,46% em Visconde do Rio Branco), evidenciando forte presença de pessoas em idade produtiva.
- Setores de atuação: O segmento de serviços lidera as inscrições em Ubá (50,88%) e Visconde do Rio Branco (48,62%), seguido pelo comércio e pela indústria. A construção civil responde por cerca de 8,6% a 9,7% dos registros.
Formas de operação e desafios de sustentabilidade
Quanto à estrutura operacional, o estabelecimento fixo é a modalidade predominante. Em Visconde do Rio Branco, 46,13% dos MEIs operam em ponto físico, ante 32,08% em Ubá. O atendimento porta a porta ou ambulante ocupa a segunda colocação, seguido pelas vendas via internet, adotadas por mais de 20% dos empreendedores em Ubá.
Apesar do impacto socioeconômico positivo, a entidade pondera que o setor enfrenta desafios com a inadimplência fiscal. No panorama nacional, apenas 38% dos microempreendedores mantêm o pagamento das contribuições previdenciárias rigorosamente em dia, cenário que exige atenção das autoridades locais.
Para Henrique Braga, é indispensável garantir suporte contínuo para a manutenção dessas empresas. 'Para assegurar a sustentabilidade do setor na Zona da Mata, precisamos avançar no acesso à capacitação, orientação financeira, crédito simplificado e inovação', conclui o economista.

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