Uma pesquisa recente revelou que Juiz de Fora, cidade mineira conhecida por sua rica história e cultura, enfrenta um triste cenário: é a segunda cidade do estado de Minas Gerais com a maior taxa de violência doméstica contra a mulher. Os dados, levantados por um pesquisador com base na análise das ocorrências registradas pela Polícia Civil, expõem uma realidade alarmante que requer atenção urgente.
Nos primeiros semestres de 2018, 2019 e 2020, Juiz de Fora ocupou a preocupante posição de segunda cidade do estado em relação às ocorrências de violência contra mulheres. Esses números são um alerta para a necessidade de esforços coletivos para combater essa violência de gênero.
O levantamento também revelou que, entre os anos de 2020 e 2022, 18 mulheres perderam a vida ou foram vítimas de tentativas de feminicídio em Juiz de Fora. Esses dados foram obtidos através da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). A triste realidade dessas mulheres reflete o impacto devastador da violência doméstica e ressalta a importância de medidas de proteção e prevenção.
Para discutir essas questões críticas relacionadas à sobrevivência e segurança das mulheres, o Fórum 8M-JF está organizando uma marcha e um festival cultural na cidade. O evento busca conscientizar a comunidade sobre a necessidade de combater a violência de gênero e apoiar as vítimas.
É fundamental que a sociedade como um todo se una para combater essa epidemia silenciosa que afeta tantas mulheres em Juiz de Fora e em todo o país. A violência doméstica não é apenas um problema privado; é uma questão de saúde pública que exige atenção, intervenção e prevenção.
As autoridades locais, organizações de direitos das mulheres e a comunidade em geral devem trabalhar juntas para criar um ambiente seguro e acolhedor para as vítimas de violência doméstica, bem como para conscientizar sobre os recursos disponíveis para ajudar as mulheres que enfrentam essa situação.
O Brasil enfrenta uma crise alarmante de violência de gênero, com o país ocupando a triste posição de 5º no mundo em número de feminicídios. A cada minuto, ao menos três mulheres sofrem algum tipo de violência, que varia desde assédio e exploração sexual até agressões físicas e feminicídios.
Os dados mais recentes revelam que o Brasil registrou mais de mil casos de feminicídio por ano de 2017 a 2022, resultando em uma média de três crimes deste tipo por dia, ou uma mulher morta a cada quase 7 horas. Nos últimos seis anos, 7.772 mulheres perderam suas vidas devido ao feminicídio em todo o país, de acordo com informações do Fórum de Segurança Pública. É uma tendência alarmante que vem crescendo desde que a lei do feminicídio foi criada em março de 2015, e o Distrito Federal já superou o número de ocorrências dos primeiros oito meses de 2023 em comparação com todo o ano anterior.
Anualmente, o Brasil tem visto um aumento constante no número de casos de feminicídio, quebrando recordes a cada ano. Em 2022, foram registrados 1.437 casos, enquanto em 2021, o número chegou a 1.347. Esses dados estão detalhados no Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2023.
Desde a criação da lei do feminicídio, 9.150 mulheres perderam a vida devido a esse crime, resultando em uma média de três mulheres mortas por dia nos últimos oito anos devido ao fato de serem mulheres. Além disso, o estudo revela que em 35,6% dos casos de homicídio envolvendo vítimas do sexo feminino, a ocorrência é classificada como feminicídio.
Em 2022, os estados com os maiores registros de feminicídio foram São Paulo (195), Minas Gerais (171), Rio de Janeiro (111), Rio Grande do Sul (110) e Bahia (107). Quando considerada a proporção dos casos, Rondônia (3,1 em cada 100 mil mulheres), Mato Grosso do Sul (2,9 em cada 100 mil mulheres) e Acre (2,6 em cada 100 mil mulheres) destacam-se com as maiores taxas per capita.
A lei do feminicídio, em vigor desde 2015, qualifica esse tipo de crime quando o homicídio de mulheres ocorre devido à sua condição de gênero. Ela considera feminicídio quando o assassinato envolve violência doméstica e familiar, menosprezo ou discriminação à condição de mulher da vítima.
Esses alarmantes números destacam a urgência de ações contínuas para combater a violência de gênero no Brasil. As organizações de defesa dos direitos das mulheres e os órgãos governamentais devem continuar trabalhando juntos para criar um ambiente seguro e proteger todas as mulheres de todas as formas de violência.
É fundamental que as vítimas e testemunhas denunciem a violência de gênero e busquem apoio. Vários serviços, como:
Central de Atendimento à Mulher - Ligue 180
Central de Atendimento à Mulher é um serviço criado para o combate à violência contra a mulher e oferece três tipos de atendimento: registros de denúncias, orientações para vítimas de violência e informações sobre leis e campanhas. A Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos é responsável pelo canal de denúncia, que funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana. O contato pode ser por telefone (180), chat online (site da Ouvidoria) ou aplicativo de celular (Direitos Humanos Brasil), desenvolvido pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.
Patrulha de Prevenção à Violência Doméstica- PPVD/ Policia Militar
DEAM - Delegacia Especializada de Atendimento à mulher
Unidade especializada da Polícia Civil para atendimento às mulheres em situação de violência. Conta com a expedição de medidas protetivas de urgência no prazo máximo de 48 horas.
Endereço: Rua Jarbas de Lery Santos, n° 1655 (2º andar do Santa Cruz Shopping).
Horário de atendimento: De segunda a sexta, das 9h às 12h/14h às 17h.
Telefone:
Defensoria Pública de Atendimento Especializado da Mulher
A Defensoria Pública do Estado de Minas Gerais possui assistência especializada à mulher em situação de violência familiar e/ou doméstica, realizando de forma gratuita instruções jurídicas e extrajudiciais, desde acolhimento e atendimentos iniciais ao acompanhamento de medidas protetivas, audiências e ações como reconhecimento e dissolução de união estável, divórcio, guarda, alimentos entre outros.
Endereço: Av. Barão do Rio Branco, n°2281, 9° andar, Centro
Atendimento: De segunda a sexta, das 11h às 17h
Telefone: 3217-0443
WhatsApp: (31) 98299-0391 (Horário de atendimento: 08 às 17 horas)
E-mail: [email protected]
Para mais informações acesse: https://defensoria.mg.def.br/?servicos=defesa-da- mulher
Plataforma mulher segura-ONU
A Plataforma Mulher Segura conecta mulheres em situação de violência aos canais de apoio disponíveis por todo o País. Para que as sobreviventes possam dar os primeiros passos para romper com o ciclo da violência doméstica, reunimos os principais serviços de enfrentamento à violência contra as mulheres desenvolvidos pelos estados brasileiros e organizações locais. A Plataforma Mulher Segura é uma iniciativa do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), em resposta ao aumento das violências contra as mulheres na pandemia da COVID-19. O ano de 2020 transformou as formas com que protegemos as mulheres e escancarou desigualdades de acesso à internet. Aqui, simplificamos a busca por direitos, para que todas possam acessar os serviços de atendimento e proteção às vítimas mais atualizados.
Para mais informacoes, acesse: https://mulhersegura.org/sobre-plataforma-mulher- segura-unfpa
A luta contra a violência de gênero continua, e a conscientização é o primeiro passo para a mudança. Denuncie qualquer forma de violência contra a mulher e apoie as organizações e iniciativas que trabalham para um futuro mais seguro para todas as mulheres.