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Terça-feira, 03 de Novembro 2026
Brasil/Mundo

Investimento global cresce, mas concentração de recursos amplia desafios para países em desenvolvimento e para o Brasil

Relatório da ONU aponta recuperação desigual dos investimentos internacionais, com maior concentração em economias e setores estratégicos. Países em desenvolvimento enfrentam dificuldades para competir por recursos destinados à tecnologia e à infraestrutura.

Isa Paula Dantas
Por Isa Paula Dantas
Investimento global cresce, mas concentração de recursos amplia desafios para países em desenvolvimento e para o Brasil
Organização das Nações Unidas
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Investimento global cresce, mas concentração de recursos desafia países em desenvolvimento e o Brasil

Relatório da ONU aponta aumento dos investimentos internacionais em 2025, mas mostra que os recursos estão concentrados em grandes economias e setores estratégicos.

MUNDO EM CONTEXTO | ECONOMIA INTERNACIONAL

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O investimento internacional voltou a crescer em 2025, mas os recursos não estão sendo distribuídos de maneira equilibrada entre os países. Enquanto as grandes economias ampliam sua participação em setores como inteligência artificial, energia e infraestrutura digital, muitos países em desenvolvimento enfrentam dificuldades para atrair investimentos e competir no mercado mundial.

Segundo a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), o investimento estrangeiro direto mundial cresceu 6% em 2025, alcançando US$ 1,6 trilhão. As economias desenvolvidas registraram aumento de 11%, enquanto os países em desenvolvimento tiveram crescimento de apenas 2%, chegando a US$ 901 bilhões.

O relatório também mostra que as 20 principais economias receptoras concentraram mais de 80% dos investimentos internacionais no período.

Tecnologia concentra novos investimentos

A infraestrutura de inteligência artificial, os semicondutores, as tecnologias de energia e os minerais críticos estão entre os setores que mais atraem recursos. Segundo a UNCTAD, essas atividades representaram 44% do valor dos projetos anunciados para novas instalações em 2025. Em 2020, a participação era de 16%.

O valor desses projetos passou de US$ 109 bilhões, em 2020, para US$ 576 bilhões, em 2025. A mudança favorece países com maior capacidade financeira, infraestrutura tecnológica e mão de obra qualificada, enquanto economias com menos recursos enfrentam dificuldades para disputar esses investimentos.

Desafios para os países em desenvolvimento

A desigualdade também aparece na distribuição dos projetos. Entre 2020 e 2025, países de baixa renda e de renda média-baixa receberam aproximadamente 10% dos investimentos em novas instalações nos setores estratégicos. Nos demais setores, a participação foi superior a 20%.

A limitação de recursos públicos, os custos de financiamento e as dificuldades de infraestrutura reduzem a capacidade desses países de competir por grandes projetos internacionais. Por isso, a UNCTAD defende o fortalecimento das estruturas produtivas e a ampliação da cooperação regional.

O Brasil possui recursos naturais, capacidade de produção de energia e atividades industriais e agrícolas que podem atrair investimentos. Em 2025, o país recebeu US$ 77 bilhões em investimento estrangeiro direto, ficando entre os cinco maiores destinos mundiais, segundo a ONU.

Apesar desse resultado, o desafio brasileiro é ampliar a capacidade tecnológica, diversificar a indústria e participar de etapas de maior valor agregado das cadeias produtivas. Isso exige transformar os recursos recebidos em geração de empregos qualificados, fortalecimento de empresas nacionais e desenvolvimento de tecnologia.

Políticas públicas podem influenciar o cenário

A UNCTAD também destaca que os governos estão adotando políticas mais seletivas para atrair investimentos, priorizando setores considerados estratégicos para a economia e a segurança nacional.

Para países como o Brasil, a cooperação regional pode ampliar mercados, integrar cadeias produtivas e criar melhores condições para receber novos projetos. Segundo Pedro Manuel Moreno, secretário-geral interino da organização, as decisões políticas tomadas neste momento podem determinar se os investimentos contribuirão para um desenvolvimento compartilhado ou ampliarão as diferenças entre os países

FONTE/CRÉDITOS: © UNCTAD

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Isa Paula Dantas

Publicado por:

Isa Paula Dantas

Estudante de Jornalismo e estagiária da redação da RCWTV, portal de notícias de Juiz de Fora e da Zona da Mata. Produz e apura matérias sobre a cidade e a região, sob supervisão da editoria do portal.

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