O cenário econômico para a indústria de Minas Gerais divide-se entre a apreensão no comércio exterior e o otimismo no setor de biocombustíveis. Análises técnicas divulgadas pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) detalham o impacto de novas barreiras alfandegárias propostas pelos Estados Unidos e, por outro lado, celebram a decisão do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) que beneficia diretamente a cadeia produtiva local.
Barreiras nos EUA: Risco de desvantagem tarifária de até 37,5%
Estudos do Centro Internacional de Negócios (CIN/FIEMG) apontam que a indústria mineira corre o risco de perder espaço para concorrentes internacionais caso o governo americano confirme duas novas taxações. O Brasil está sob a mira de uma tarifa de 25% específica para produtos nacionais, além de figurar na lista de 12,5% de uma investigação global ligada a cadeias com indícios de trabalho forçado.
Se acumuladas, as alíquotas adicionais podem atingir 37,5%. A maior preocupação não reside apenas no percentual, mas no tratamento desigual em relação aos principais concorrentes:
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Ferro-gusa: Matéria-prima essencial para a siderurgia americana, o produto de Minas Gerais disputa mercado com a Ucrânia (isenta da lista de 60 países investigados), além de Canadá e Indonésia (taxados em apenas 10%). A Ucrânia poderá ter uma vantagem competitiva de até 37,5 pontos percentuais frente ao produto mineiro.
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Bens Industriais e Equipamentos: No segmento de disjuntores, os concorrentes diretos de Minas Gerais são o México e a União Europeia (sujeitos a alíquota de 10%), além da China e República Dominicana (enquadrados em 12,5%).
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Agronegócio e Mineração: Mel natural, sebo bovino, pedras trabalhadas e ardósia também enfrentam o risco de substituição por fornecedores de países como Índia, Vietnã e Austrália, que não sofrerão a sobretaxa específica de 25%.
A FIEMG defende que o governo brasileiro intensifique as negociações diplomáticas para ampliar as listas de exceções e garantir previsibilidade aos contratos vigentes.
Transição Energética: CNPE aprova mistura de 32% de etanol na gasolina
Em contrapartida, o setor sucroenergético mineiro recebeu com otimismo a decisão do CNPE de elevar a mistura de etanol anidro na gasolina de 30% para 32% (medida batizada de E32). A Federação projeta um cenário altamente favorável para as usinas instaladas em Minas Gerais, um dos maiores polos produtores do país.
Impacto Estimado: O acréscimo de dois pontos percentuais na mistura deve gerar um aumento de demanda estimado em 900 milhões de litros de etanol por ano no mercado nacional.
Para Mário Campos Filho, presidente da SIAMIG Bioenergia, a medida blinda a economia contra fatores geopolíticos externos. Ao aumentar o consumo de combustível de origem nacional e renovável, o Brasil reduz a importação de gasolina e a dependência das oscilações de preço do barril de petróleo no mercado internacional, ao mesmo tempo em que acelera as metas de descarbonização da matriz de transportes.
As fiscalizações de qualidade de combustíveis e conformidade ambiental continuam sob a supervisão das agências reguladoras e das autoridades competentes.
FAQ
Quando entram em vigor as novas tarifas dos EUA sobre os produtos brasileiros?
A decisão final do governo americano está prevista para o dia 15 de julho. Contudo, após a publicação oficial, as empresas ainda deverão aguardar a definição dos prazos de transição e a regulamentação aduaneira para saber quando a cobrança será efetivamente aplicada nas fronteiras.
A nova gasolina com 32% de etanol (E32) pode danificar os motores dos carros comuns?
Não. Os estudos técnicos que subsidiaram a decisão do CNPE garantem a compatibilidade da nova mistura com a frota circulante no país, mantendo o desempenho dos motores flex e daqueles que rodam exclusivamente a gasolina.
Quais setores de Minas Gerais podem escapar das novas taxas americanas?
Diferentes produtos considerados essenciais para o abastecimento das indústrias dos Estados Unidos ou que já possuem acordos tarifários específicos estão incluídos nas listas preliminares de exceção. O impacto exato dependerá do código fiscal (NCM) de cada mercadoria no documento final.

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