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Quarta-feira, 27 de Maio 2026
Minas Gerais

Hospital Colônia de Barbacena encerra atividades definitivamente em Minas Gerais

Ato simbólico com a participação do Ministério Público marca o fim do maior símbolo do modelo manicomial e consolida a Rede de Atenção Psicossocial.

Redação RCWTV
Por Redação RCWTV
Hospital Colônia de Barbacena encerra atividades definitivamente em Minas Gerais
Imagem: Reprodução/MPMG
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Na última segunda-feira (25/05), o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) participou do ato oficial que simbolizou o encerramento definitivo de todas as atividades do antigo Hospital Colônia de Barbacena. A instituição, situada na região do Campo das Vertentes e historicamente interligada ao fluxo de atendimento regional de Juiz de Fora, tornou-se o maior símbolo das violações de direitos humanos praticadas no contexto da assistência manicomial no Brasil. O evento é considerado um marco histórico para a saúde mental do país e para a consolidação de políticas públicas voltadas ao cuidado em liberdade e à dignidade humana.

A solenidade contou com a presença da promotora de Justiça e coordenadora do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça de Defesa da Saúde (CAO-Saúde), Giovanna Carone Nucci Ferreira, da assessora técnica Bárbara Coelho Ferreira e do promotor de Justiça de defesa da saúde de Barbacena, Luiz Paulo Bhering Nogueira. De acordo com os representantes do órgão, o fechamento da estrutura carrega um profundo significado institucional, sanitário e humanitário, sepultando um modelo baseado na exclusão social.

Memória do Holocausto Brasileiro e transição de paradigma

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Ao longo de décadas, o Hospital Colônia foi cenário de internações indevidas e condições degradantes que resultaram no registro de milhares de mortes de pacientes, em um episódio que ficou conhecido na literatura e na história nacional como o "Holocausto Brasileiro". A coordenação do CAO-Saúde enfatizou que o encerramento definitivo das atividades físicas não apaga a memória da dor coletiva, que deve ser lembrada para que não se repita, mas estabelece a consolidação de um novo paradigma de atendimento fundado na inclusão e no respeito aos cidadãos em sofrimento mental.

Fiscalização permanente e a ferramenta digital RAPS

O Ministério Público mantém uma atuação constante no fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) em Minas Gerais, fiscalizando a execução de políticas públicas com base na Lei Federal nº 10.216/2001, que instituiu a Reforma Psiquiátrica Brasileira. O foco das promotorias é garantir que o tratamento de pacientes ocorra em redes substitutivas abertas e comunitárias, superando de vez as práticas asilares de isolamento.

Para subsidiar o trabalho dos promotores de Justiça em cada município, o CAO-Saúde desenvolveu e implementou a ferramenta tecnológica "Aqui tem RAPS". O sistema realiza um diagnóstico e mapeamento minucioso da Rede de Atenção Psicossocial em solo mineiro. A plataforma qualifica a fiscalização ao fornecer dados territoriais concretos, permitindo que o Ministério Público cobre dos gestores municipais a estruturação correta de serviços de saúde mental integrados ao Sistema Único de Saúde (SUS).

FAQ

O que foi o Holocausto Brasileiro em Barbacena?

Foi o termo utilizado para denunciar a morte de milhares de pessoas internadas à força e mantidas em condições subumanas e sem cuidados médicos adequados no antigo Hospital Colônia ao longo do século passado.

Para onde vão as pessoas que precisam de tratamento psiquiátrico agora?

O atendimento agora é feito de forma humanizada e em liberdade através dos serviços que compõem a RAPS, como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), leitos em hospitais gerais e unidades de acolhimento comunitário.

Como saber se a minha cidade tem uma rede de atendimento em saúde mental?

O Ministério Público utiliza a plataforma digital "Aqui tem RAPS" para mapear e auditar a existência de serviços psiquiátricos e psicossociais nos municípios de Minas Gerais, garantindo a fiscalização da rede pública.

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FONTE/CRÉDITOS: Ministério Público do Estado de Minas Gerais

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