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Quarta-feira, 10 de Junho 2026
Educação

Festival SESI de educação sedia campeonato de robótica em São Paulo

A competição, que reúne milhares de estudantes, acontece de sexta a domingo no Parque Ibirapuera.

Redação RCWTV
Por Redação RCWTV
Festival SESI de educação sedia campeonato de robótica em São Paulo
© Paulo Pinto/Agência Brasil
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A 7ª edição do Festival SESI de Educação, um dos maiores torneios de robótica da América Latina, teve início nesta sexta-feira (6) em São Paulo. O evento congrega aproximadamente 2,3 mil alunos, com idades entre 9 e 19 anos, provenientes de instituições de ensino públicas e privadas de diversas regiões do Brasil.

Deste encontro, serão selecionadas 13 equipes que avançarão para a fase global da disputa. Esta etapa mundial está agendada para acontecer entre 29 de abril e 2 de maio, em Houston, nos Estados Unidos, local da sede da organização sem fins lucrativos For Inspiration and Recognition of Science and Technology (First), que em português significa "Por Inspiração e Reconhecimento da Ciência e Tecnologia".

O amplo pavilhão da Fundação Bienal de São Paulo, situado no Parque Ibirapuera, será o palco para a exibição de projetos em quatro categorias até domingo (8). As inovações apresentadas abrangem desde carros de Fórmula 1 em miniatura até robôs que ultrapassam os 50 quilos. Um requisito comum é que todos os trabalhos estejam conectados ao tema central deste ano: Arqueologia. A entrada é gratuita, com funcionamento das 9h às 17h.

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A programação completa do festival pode ser consultada por meio de um link dedicado.

O objetivo do festival é incentivar os alunos a desenvolverem pensamento crítico, capacidade de trabalho em equipe, aptidão para captação de recursos e domínio de conhecimentos técnicos. Além disso, espera-se que os participantes consigam expor seus projetos ao público, iniciando assim sua jornada como divulgadores científicos.

Esta iniciativa visa promover uma educação que integre as chamadas ciências exatas – como matemática, física e química – com as ciências humanas e as artes, sem criar dicotomias entre elas.

A First no Brasil

Desde 2012, ano em que o SESI assumiu a organização das competições da First no Brasil, mais de 45 mil estudantes já tomaram parte nos torneios. Somente na categoria iniciante (FLLC), eles acumularam mais de 110 premiações em nível internacional.

Fausto Augusto Junior, presidente do Conselho Nacional do SESI, destaca que um dos propósitos do evento é justamente evidenciar aos jovens a ubiquidade da tecnologia no dia a dia, instruindo-os sobre sua mediação.

"Para nós, o letramento tecnológico é de suma importância. Representa o instante mais estratégico para nos aprofundarmos na educação tecnológica, uma formação essencial para o século 21. Este paradigma é observado tanto no Vale do Silício, nos Estados Unidos, quanto na China. Nações que investem pesadamente em tecnologia iniciam essa educação em estágios muito precoces, já no ambiente escolar", afirmou Augusto Junior em entrevista à Agência Brasil.

O professor, cientista social e pesquisador da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) enfatiza a importância da diversidade e da convivência harmoniosa entre os alunos de uma mesma escola e os demais participantes do festival.

Augusto Junior explica que membros de uma mesma equipe frequentemente continuam juntos ao longo dos anos. Assim, um estudante que iniciou a competição na fase de aprendizado com peças de Lego, por exemplo, pode futuramente orientar um novato, fortalecendo os laços entre eles.

Na quinta-feira (5), antes da abertura oficial ao público, a organização promoveu a "Festa da Amizade", um momento dedicado à interação e ao estreitamento de laços entre os estudantes participantes.

Augusto Junior esclarece que, além do talento e dedicação dos participantes, a concretização dos projetos está significativamente atrelada a recursos financeiros provenientes de esferas governamentais municipais e estaduais, especialmente para alunos de escolas públicas. Muitas dessas instituições estabelecem colaborações com o SESI.

"Na realidade, não é que levamos a robótica diretamente para uma escola específica. O que fazemos é firmar acordos com as prefeituras para apoiar propostas educacionais que incluam a robótica como um componente significativo", detalha.

"Trata-se de uma abordagem que visa criar um modelo de aula substancialmente distinto do ensino tradicional", explica o pesquisador, enfatizando o conceito de escola integral. Este, ao contrário da escola em tempo integral, busca integrar a educação profissional com o ensino básico, abrangendo os níveis fundamental e médio.

Equipe Jurunabots: inovação do Xingu

Desafiando preconceitos racistas, como a ideia de que povos indígenas "devem permanecer na mata, dedicados à sua proteção", a equipe JurunaBots, que havia participado da edição anterior como convidada, chegou a São Paulo para competir como uma das representantes da Região Norte do Brasil.

Liderados pelo educador Fernando Juruna, os alunos da Escola Francisca de Oliveira Lemos Juruna desenvolveram um aplicativo com o propósito de divulgar informações sobre os artefatos de sua etnia. A escola, fundada na década de 1950, adotou uma abordagem educacional indígena em 2012, com o lema "Formação de Grandes Lideranças".

Os estudantes são originários de Vitória do Xingu (PA), um município de 15 mil habitantes afetado pela Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Eles se apresentam como um coletivo que harmoniza a cultura ancestral com a inovação tecnológica, por meio da plataforma "Museu Vivo Itinerante do Xingu".

Além de exibir réplicas de artefatos escolhidos por seu valor histórico-cultural, o aplicativo fomenta uma discussão atual sobre temas como apropriação cultural, apagamento histórico e a valorização dos povos originários.

Para os integrantes do Jurunabots, a arqueologia transcende a mera análise de artefatos, estendendo-se à oralidade, à história e à memória viva do povo Juruna.

"Consideramos problemáticas a remoção de objetos de suas comunidades, a dificuldade em reconhecer a identidade a eles vinculada e a ausência de retorno desses materiais aos seus locais de origem, fatores que fragilizam a memória cultural", declaram, citando o exemplo de um manto tupinambá que esteve na Dinamarca desde o século 17 e foi repatriado ao Brasil em 2024.

Concebido como uma "maleta educativa", o Museu Itinerante integra ferramentas de Realidade Aumentada e expressões da língua juruna.

"O desenvolvimento do aplicativo promove uma união que visa fortalecer nosso povo, nossa língua, nossos costumes e nossa tradição. É uma forma de demonstrar ao mundo que também podemos estar em pé de igualdade, que os povos indígenas possuem plena capacidade", afirmou Fernando Juruna, cacique da Aldeia Boa Vista, à reportagem.

"Para o nosso povo Juruna, isso é de extrema relevância, especialmente por estarmos inseridos em um contexto urbano e termos um longo histórico de contato, que se estende por mais de 200 anos. É gratificante constatar a força de nossa cultura e de nosso cotidiano. A robótica contribui para isso, pois não se trata apenas de robôs. Estou aqui em São Paulo, sou do Pará e continuo sendo indígena. Estou colaborando com os demais", concluiu.

FONTE/CRÉDITOS: Letycia Bond – Repórter da Agência Brasil

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