Pesquisadores do Hospital Israelita Albert Einstein publicaram um panorama detalhado sobre as hepatites virais no Brasil na revista científica PLOS ONE. O levantamento abrange 200 estudos divulgados entre 2013 e 2024, compilando dados de mais de 14,5 milhões de indivíduos para subsidiar políticas públicas de eliminação dessas infecções até 2030.
Realizado no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), o trabalho avaliou a prevalência de todos os tipos de vírus causadores da enfermidade: A, B, C, D e E.
Hepatite A e novos padrões de transmissão
A hepatite A apresentou soroprevalência de até 67,8% na população geral e atinge até 88,1% dos indivíduos privados de liberdade. Embora seja evitável por vacina e comumente associada à contaminação de água ou alimentos, especialistas identificaram um aumento de transmissões por via sexual oral e anal.
Esse tipo de contágio manifestou-se inicialmente em homens que fazem sexo com homens, espalhando-se posteriormente entre populações não imunizadas. Por isso, infectologistas alertam para a necessidade de expansão da vacinação gratuita para adultos.
Hepatites B e C e o risco crônico
Transmitidas principalmente por via sexual, sangue contaminado ou de mãe para filho na gestação, as hepatites B e C estão associadas a complicações graves como cirrose e câncer de fígado. O Brasil já registra controle efetivo da transmissão vertical da hepatite B, imunização disponível na rede pública e tratamentos com taxa de cura superior a 95% para a hepatite C.
Desafios regionais das hepatites D e E
Considerada uma doença negligenciada, a hepatite D afeta exclusivamente pessoas já infectadas pelo vírus B e atinge maior prevalência em comunidades ribeirinhas da região Amazônica. A enfermidade apresenta quadros clínicos graves e demanda atenção específica para diagnósticos precoces.
Já a hepatite E atua como zoonose, com transmissão associada ao contato ou consumo de suínos infectados, registrando maior incidência na Região Sul do país. A consolidação das informações serve de guia para gestores do SUS na definição de estratégias regionais de prevenção e tratamento.

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