Na semana da consciência negra, equipamentos socioassistenciais da Secretaria de Assistência Social (SAS) da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) abriram espaço para as comemorações em todo o território nacional do Dia da Consciência Negra, neste sábado, 20 de novembro. A data foi escolhida por ter sido o dia da morte do líder negro Zumbi, que lutou contra a escravidão no Nordeste, de acordo com a Lei 12.519/2011.
O Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua, o Centro Pop, e a Casa de Passagem para Mulheres (CPM) promoveram, durante essa semana, atividades voltadas para a conscientização e reflexão sobre a Abolição (1888) e o regime de escravidão que, em três séculos, registrou mais de 4 milhões de seres humanos arrancados do continente africano e impostos à condição de escravizados.
Na CPM, a programação se encerra nesta sexta-feira, 19, dia com uma palestra sobre a Intervenção Artística, após ações em torno do tema que envolveram arte, pintura e roda de conversa sobre “História da Trança e Atividade com Trancista”. Segundo a coordenadora Sandra Souza da Silva, uma das principais ferramentas contra a discriminação racial é a informação. “O objetivo das atividades foi conscientizar sobre a possibilidade de que a luta contra o racismo possa ser de todos, por uma sociedade antirracista, com igualdade social, oportunizar o conhecimento da História, pensar criticamente sobre o racismo buscando desconstruir estigmas e trabalhar a autoestima.”
Já o Centro Pop, no dia 17, realizou uma Roda de conversa sobre o tema "20 de novembro pra que(m)?”, com o pesquisador nas áreas de movimento sociais e planejamento urbano, Albert Souza, mestre em geografia pela UFJF, professor de Geografia da Secretaria de Estado de Educação/MG e da rede privada de Juiz de Fora.
O pesquisador abordou o simbolismo da data, da escravidão como raiz das desigualdades e dos processos de resistência ao longo da história e, por fim, do papel das políticas públicas na promoção dos direitos. Além disso, Souza fez uma reflexão sobre a realidade juiz-forana em torno da consciência negra.
Com a finalidade de fazer os usuários do equipamento socioassistencial repensarem o vocabulário, foi montada uma pequena exposição com expressões que ainda são utilizadas, mas que apresentam um viés racista. A data, que já evoca atenção sobre a estrutura social brasileira, é, também, um dia de luta contra a desigualdade que se manifesta até hoje.
Segundo a supervisora Maria do Socorro, a proposta desenvolvida permitiu que fosse compartilhado com os 15 usuários presentes esse tema que é tão importante na sociedade, sobretudo, dentro do Centro Pop. “O objetivo foi incitar a reflexão sobre o contexto histórico, as políticas públicas para população negra (cotas no sentido de reparação) e o cenário atual da população negra na sociedade (desenvolvimento, empoderamento e afirmação).”
A Casa de Passagem para Mulheres funciona à rua Oswaldo Cruz, 85 – Centro. O Centro Pop fica na Av. Brasil, 265 - Costa Carvalho.
FONTE/CRÉDITOS: Imprensa PJF