O dia 26 de setembro foi marcado como “Dia Municipal de Orientação e Prevenção à Gravidez na Adolescência”. A data foi instituída pela Lei Municipal n°13.932/2019 e tem por objetivo conscientizar não só jovens, mas toda a sociedade sobre os problemas e riscos relacionados à gravidez na adolescência. Segundo os dados da Subsecretaria de Vigilância em Saúde (SSVS), ao longo de todo ano passado, cerca de 605 adolescentes deram à luz em Juiz de Fora.
Em 2020, no Brasil, a data para prevenção à gravidez na adolescência passou de fevereiro para setembro. De acordo com o Ministério da Saúde, os índices de gestações na adolescência no país estão, em média, 50% acima do restante do mundo, que é de 46 mães a cada mil adolescentes. Na América Latina, o índice é de 65,5 a cada mil, enquanto no Brasil, esse número sobe para 68,4.
Em Juiz de Fora, o Dia Municipal de Orientação e Prevenção à Gravidez na Adolescência busca levar informações para os adolescentes e suas famílias, visto que um dos principais problemas está relacionado à falta de esclarecimentos entre meninos e meninas sobre medidas preventivas e educativas que contribuam para a redução dessas gravidezes.
A família tem um papel fundamental na hora de conversar e explicar para os adolescentes como é a iniciação sexual e como ela deve ser feita de forma segura. Segundo Eliana Bernardo, assistente social e supervisora de Saúde da Criança e Adolescente, “o diálogo é o melhor caminho, mas se os pais não se sentirem preparados, devem procurar ajuda profissional”.
A supervisora de Saúde da Criança e Adolescente chama atenção para as questões sociais e econômicas que estão relacionadas a essas gestações. “Um dos maiores riscos da gravidez na adolescência são as consequências, como abandono escolar e aumento da vulnerabilidade sociofamiliar”.
Jussara de Oliveira Mota, 18 anos, ficou grávida aos 17 anos e conta que, no início, "tinha muita negação, porque, quando eu descobri era muito nova, eu estava fazendo muitos planos, queria estudar, arrumar um emprego e aí descobri a gravidez. Foi um baque”. Contudo, ela diz que quando iniciou o pré-natal o sentimento foi outro. “No primeiro ultrassom, quando eu vi o coraçãozinho da minha filha, tudo mudou. Aquela negação sumiu”.
Importante lembrar que o cuidado tem de partir dos dois lados, pois a prevenção é obrigação de homens e mulheres. Porém, nem sempre isso faz parte da rotina dos meninos que não são incentivados dentro de casa a procurarem atendimento especializado. Segundo Eliana Bernardo, “é comum o responsável levar a filha para orientação à saúde sexual e reprodutiva, mas é muito pouco comum levar o filho homem”. Ela completou reforçando que “quebrar este paradigma é o grande desafio”. A responsabilidade da não gravidez na adolescência também deve ser compartilhada com os garotos, para que eles saibam quais são as melhores formas de prevenção.
É ideia corrente pensarmos a gestação somente do ponto de vista da mulher, mas como salienta Eliana, Maternidade e Paternidade ocorrem juntas. Nesse aspecto, somos influenciados por uma cultura patriarcal que sempre legou a maternidade unicamente para as mulheres. Ela explica que, “culturalmente a população masculina não tem o hábito de estabelecer cuidados com saúde e, além disso, nossa sociedade machista reforça este comportamento, inclusive quando falamos em gravidez nos referimos exclusivamente às mulheres, esquecendo que ninguém engravida sozinho”.
Eliana alerta que “além da gravidez, os adolescentes se expõem ao risco de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) como Aids, Sífilis e outras, sendo que já estamos registrando um crescimento nas notificações dessas doenças”. As DSTs são um agravo nessa relação, pois em muitas das vezes elas são silenciosas e trazem sérias consequências.
DSMGCA promove live para debater assunto junto aos adolescentes
E como forma de aproximar esses jovens e estabelecer um diálogo, a Secretaria de Saúde (SS) irá promover uma live nesta quinta-feira, 30, que contará com as participações da secretária, Ana Pimentel; da assistente social do Departamento de Saúde da Mulher, Gestante, Criança e Adolescente (DSMGCA), Eliana Bernardo; da médica ginecologista do DSMGCA, Cláudia Bueno; a enfermeira Fernanda Souza; e de Túlio Gregory, educador, palestrante, facilitador na relação estabelecida entre o indivíduo e o conhecimento, além de livre pensador. Além disso, algumas mães que passaram por esse momento na adolescência irão compartilhar suas experiências. Para aqueles que tiverem interesse, a transmissão ocorre pelo Facebook da PJF a partir das 19h e qualquer pessoa pode participar.
Além de relembrar o “Dia Municipal de Orientação e Prevenção a Gravidez na Adolescência”, a live abre espaço para que a população adolescente seja ouvida sobre o tema, além de ser abordada uma reflexão sobre atitudes, direitos e responsabilidades que contribuem para a Saúde desse público, seja ele meninas ou meninos.
Serviços oferecidos para os adolescentes
O Departamento de Saúde da Mulher, Gestante, Criança e Adolescente, localizado na Rua São Sebastião, 772/776, oferece atendimento clínico e ginecológico, orientações sobre métodos contraceptivos e acompanhamento pré-natal. Após a gestação, o DSMGCA também oferece serviço de pediatria, vacinação e teste do pezinho. Além disso, o Departamento também disponibiliza orientação sobre métodos de prevenção para os meninos, inclusive com atendimento clínico. Caso seja necessário, são realizados encaminhamentos para esses garotos se consultarem com especialistas.
FONTE/CRÉDITOS: PJF