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Quarta-feira, 22 de Julho 2026
Juiz de Fora

Congresso de limnologia debate urgência da preservação de rios no Brasil

Especialistas e acadêmicos se reúnem em Juiz de Fora para discutir a crise hídrica e a necessidade de rios provarem seu direito à vida, clamando por ação.

Talia Santana
Por Talia Santana
Congresso de limnologia debate urgência da preservação de rios no Brasil
Carolina de Paula/UFJF
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A urgência da preservação de rios no Brasil foi o tom principal da abertura do 20° Congresso Brasileiro de Limnologia (CBL), realizada na noite desta última segunda-feira, dia 20, no Cine-Theatro Central, em Juiz de Fora. O professor Fabio Roland, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), expressou o estarrecimento de que “há alguma coisa errada quando um rio tem de provar que precisa e merece continuar vivo”, ecoando a preocupação de cerca de 1.400 inscritos no evento.

A discussão centralizou-se na crítica à degradação dos ecossistemas aquáticos e na busca por soluções para a crise hídrica que afeta o país, ressaltando que “toda civilização escreve sua biografia às margens de seus rios”.

Ameaças e a ciência da vida aquática

A limnologia, ciência dedicada ao estudo de ecossistemas aquáticos como rios, lagos e pântanos, é crucial para compreender os desafios enfrentados. Fatores como a expansão urbana desordenada, a poluição generalizada, a ausência ou falha de saneamento básico, a canalização de cursos d’água e o corte de matas ciliares são apontados como principais causas da “morte” de rios.

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Essa indignação com a sobrevivência dos cursos d’água não é exclusiva de Roland. O coro dos participantes do congresso foi reforçado pela participação, via videochamada, do pesquisador José Galizia Tundisi, uma referência na área. Tundisi lamentou a ausência por motivos de saúde familiar e destacou que, segundo a ONU, milhares de pessoas sofrem de problemas respiratórios por falta de água para higiene básica.

Um grito por transdisciplinaridade e ação política

Tundisi reforçou a premente necessidade de uma abordagem transdisciplinar para avançar na compreensão dos complexos processos ecossistêmicos. Ele citou a integração de saberes de engenharia, geologia e tecnologia da informação como exemplos de como diferentes campos podem somar forças.

Em outra contribuição por vídeo, o iraniano Kaveh Madani enfatizou que os estudos limnológicos devem ser pautados pela realidade local. Ele instou os cientistas a se empenharem em influenciar as decisões políticas, destacando a distribuição injusta da água, mesmo em países com abundância de recursos hídricos, como Brasil e Canadá.

  • Principais desafios na gestão hídrica:
  • Acesso desigual à água potável.
  • Concentração de aproximadamente 70% da água doce nas mãos de agricultores, evidenciando o uso predominante na produção alimentícia.
  • Falta de influência científica nas políticas públicas.

O professor Fábio Roland reiterou a gravidade da situação: “Aquilo que fazemos com a água inevitavelmente é aquilo que escolhemos ser. Vivemos num mundo estranho. Jamais produzimos tanto conhecimento, jamais dominamos tantos satélites. No entanto, nunca convivemos com tantas pessoas sem água segura para viver”. Roland é reconhecido por ter inserido Juiz de Fora no mapa nacional da limnologia, segundo o professor Nathan Barros.

Apoio institucional e legado

A fala dos convidados foi precedida pelos discursos da presidente da Associação Brasileira de Limnologia (ABLimno), Andrea Figueiredo, do secretário da entidade e professor da Faculdade de Engenharia da UFJF, André Amado, e do presidente do 20º Congresso, professor Nathan Barros, da UFJF. Todos reforçaram a relevância da associação na transformação social e agradeceram os apoios recebidos para a realização do evento.

Amado fez menção à tragédia hídrica vivida por Juiz de Fora em fevereiro deste ano, reforçando a pertinência do congresso. Esta é a segunda vez que a UFJF sedia o CBL, cuja primeira edição na cidade ocorreu em 2003. O evento, que nasceu em Belo Horizonte há 40 anos, continua até esta sexta-feira, dia 24, com palestras, conferências, minicursos e diversas atividades no campus, especialmente na Praça Cívica.

A noite de abertura foi encerrada com uma apresentação musical do Trio Madeira Brasil, trazendo uma fusão de chorinho e flamenco. O trio é composto pelo professor de Música da UFJF José Paulo Becker (violão), Ronaldo do Bandolim (bandolim) e Marcello Gonçalves (violão de 7 cordas).

FONTE/CRÉDITOS: UFJF

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