Um relatório da Polícia Federal indica que o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, recebeu vantagens indevidas para beneficiar a refinaria Refit junto a órgãos estaduais. O documento, que fundamentou mandados de busca e apreensão na segunda fase da Operação Sem Refino, teve o sigilo retirado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Conforme as investigações, o ex-gestor fluminense teria sido favorecido com R$ 10,5 mil em caviar, o custeio do aluguel de sua residência na Barra da Tijuca e o uso de uma mansão em Petrópolis. No imóvel da Região Serrana, teria sido instalada uma adega de R$ 245 mil encomendada pelo próprio político.
Esquema para favorecer empresário
A ação policial, deflagrada em 14 de agosto, apura a concessão irregular de licenças ambientais para a refinaria Refit. A PF afirma que as liberações ocorriam sem o aval dos órgãos técnicos competentes. Além disso, o esquema envolvia lavagem de dinheiro com o uso de "laranjas" para cobrir despesas pessoais do ex-governador.
Em contrapartida, Castro atuaria para beneficiar o empresário Ricardo Magro, apontado como líder da organização criminosa. Segundo mensagens interceptadas em celulares apreendidos, o político contatava diretamente responsáveis pelo licenciamento ambiental para acelerar liberações e prejudicar concorrentes. Magro teve a prisão preventiva decretada e está foragido.
Despesas pagas por intermediários
Entre os episódios citados, a PF destaca uma degustação de caviar no Hotel Emiliano, em São Paulo, no valor de R$ 10,5 mil. A conta teria sido quitada pela empresa AC Santos Participações, do advogado Antonio Carlos da Conceição Santos, conhecido como "Pipo", apontado como articulador da lavagem de patrimônio.
Outra vantagem mencionada envolve a mansão em Petrópolis, registrada em nome da empresa Concrecasa. A PF alega que o uso do imóvel foi compensação por contratos de R$ 355 milhões firmados entre o governo estadual e a Enge Prat Engenharia. Já a cobertura na Barra da Tijuca tinha aluguel subfaturado em R$ 10 mil.
Defesa nega irregularidades
Em nota oficial, a defesa de Cláudio Castro refutou qualquer envolvimento com lavagem de dinheiro, favorecimento ou recebimento de propina. Os advogados afirmam que os contratos dos imóveis citados são regulares e devidamente pagos, e que a casa em Petrópolis era alugada e já teve o contrato encerrado.
Sobre a compra do caviar, a defesa esclareceu que o fato ocorreu mais de um mês após Castro deixar o governo, e que ele apenas fez a retirada dos produtos a pedido de um amigo. O texto acrescenta que os contatos com a Refit foram estritamente institucionais e solicita que o político seja ouvido formalmente pela PF.

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