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Domingo, 07 de Junho 2026
Saúde

Casos de sarampo disparam nas Américas; Opas emite alerta

Brasil mantém status de livre da doença mesmo com 38 casos em 2025; vacinação é crucial

Redação RCWTV
Por Redação RCWTV
Casos de sarampo disparam nas Américas; Opas emite alerta
© Fernando Frazão/Agência Brasil
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A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), braço regional da Organização Mundial da Saúde (OMS), emitiu um alerta para os países das Américas após um crescimento de quase 23 vezes nos registros de sarampo entre 2024 e 2025.

No ano de 2025, o continente americano contabilizou 14.891 ocorrências da enfermidade, um avanço significativo comparado aos 446 casos de 2024, resultando em 29 óbitos.

A situação se agravou em 2026, com dados parciais da Opas indicando 1.031 casos em janeiro, um número aproximadamente 45 vezes maior que os 23 notificados no mesmo mês de 2025, sem registros de mortes até o momento.

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A maior parte das infecções, tanto em 2025 quanto no início de 2026, concentrou-se na América do Norte. Em 2025, México (6.428), Canadá (5.436) e Estados Unidos (2.242) foram responsáveis por quase 95% dos casos, totalizando 14.106.

Em 2026, essas três nações continuaram a liderar, somando 948 registros, o que corresponde a 92% das notificações em todo o continente.

O comunicado da Opas ressalta que a maioria esmagadora dos casos foi identificada em indivíduos sem histórico de vacinação contra o sarampo.

Nos Estados Unidos, 93% dos infectados não haviam sido imunizados ou possuíam histórico vacinal incerto. No México, esse percentual era de 91,2%, e no Canadá, de 89% dos casos.

A Opas avalia que “o aumento acentuado dos casos de sarampo na região das Américas durante 2025 e no início de 2026 constitui um sinal de alerta que requer uma ação imediata e coordenada por parte dos Estados Membros”.

Em novembro do ano anterior, a própria Opas já havia revogado o certificado de região livre da transmissão do sarampo para o continente.

Brasil mantém status de erradicação

O Brasil registrou 38 notificações da doença em 2025, sendo 36 delas em indivíduos sem vacinação prévia. Em 2024, houve apenas quatro registros, e até o momento, nenhum caso foi reconhecido em 2026.

Apesar do crescimento de casos entre 2024 e 2025, a nação ainda mantém o reconhecimento de ser um território livre do sarampo.

A Opas especificou que, dos 38 casos em 2025, dez foram classificados como importados (infecção ocorrida no exterior), 25 como relacionados à importação e três tiveram sua fonte de infecção indeterminada.

As ocorrências confirmadas foram distribuídas entre Distrito Federal (1), Maranhão (1), Mato Grosso (6), Rio de Janeiro (2), São Paulo (2), Rio Grande do Sul (1) e Tocantins (25).

A importância da vigilância contínua

Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, observa que o recente surto na América do Norte ocorre enquanto o Brasil tem conseguido controlar o sarampo, tendo recuperado seu certificado de país livre da doença em 2024.

Em 2018, a circulação do vírus foi reintroduzida devido a um elevado fluxo migratório e à baixa cobertura vacinal da época. Consequentemente, em 2019, após um ano de reintrodução do sarampo, o Brasil perdeu seu status de erradicação.

Para Kfouri, a situação alarmante nos países americanos representa um “risco constante” para o Brasil, dada a intensa movimentação de pessoas entre as nações.

“Voos diários do Canadá, México e Estados Unidos para cá fazem com que seja inexorável a entrada de alguém com sarampo no nosso território”, afirmou ele à Agência Brasil.

Kfouri enfatiza a necessidade de o Brasil prosseguir com os esforços para preservar sua condição de área livre do sarampo.

“Nosso grande desafio é manter a vigilância atenta, reconhecer esses casos suspeitos que entram no país e termos altas coberturas vacinais, para que esses casos que entrem não se traduzam em transmissão sustentada da doença”, ressaltou o vice-presidente.

O que é o sarampo?

O sarampo é uma enfermidade viral de alta contagiosidade que pode desencadear complicações graves e ser fatal. Os sintomas incluem febre, tosse, coriza, perda de apetite e conjuntivite, caracterizada por olhos avermelhados, lacrimejantes e sensibilidade à luz (fotofobia).

Além disso, surgem manchas avermelhadas na pele. As erupções iniciam-se na face, na área atrás das orelhas, e progridem para outras partes do corpo. Dor de garganta também pode ser um sintoma.

A pele pode apresentar descamação, assemelhando-se a uma queimadura. O sarampo é capaz de provocar condições severas como cegueira, pneumonia e encefalite (inflamação cerebral).

Vacinação: a principal defesa

A medida preventiva mais eficaz contra o sarampo é a vacinação, disponibilizada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e integrada ao calendário básico de imunização infantil.

A primeira dose do imunizante tríplice viral, que confere proteção contra sarampo, caxumba e rubéola, é recomendada aos 12 meses de idade, seguida pela segunda dose aos 15 meses.

Indivíduos com até 59 anos que não possuam comprovante de vacinação ou que não tenham completado o esquema vacinal devem regularizar sua situação. O governo promove campanhas de imunização periodicamente.

Segundo o Ministério da Saúde, informações preliminares de 2025 indicam um “avanço expressivo” na cobertura da vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) em comparação com 2022.

A cobertura vacinal elevou-se de 80,7% para 93,78%, e a aplicação da dose de reforço subiu de 57,6% para 78,9% no mesmo intervalo, “evidenciando a retomada das coberturas no país”.

A Sociedade Brasileira de Imunizações esclarece que uma cobertura mínima de 95% é essencial para prevenir novos surtos da doença.

Recomendações da Opas

  • Fortalecer, de forma prioritária, as ações de vigilância e as campanhas de vacinação de rotina, assegurando uma resposta ágil e eficaz a casos suspeitos;
  • Realizar investigações ativas em comunidades, instituições e laboratórios para a detecção precoce de novas ocorrências;
  • Promover atividades de vacinação suplementares com o objetivo de preencher as lacunas de imunidade existentes.

Medidas do Ministério da Saúde

Em resposta à Agência Brasil, o Ministério da Saúde comunicou que está orientando estados e municípios a intensificar a vigilância epidemiológica, a vacinação e as iniciativas de prevenção.

“As medidas abrangem a rápida investigação de casos suspeitos e a expansão das coberturas vacinais”, afirmou a pasta em nota.

O ministério mencionou que, em 2025, com o intuito de resguardar a população, sobretudo nas áreas limítrofes com a Bolívia, o Brasil intensificou a vacinação contra o sarampo nos estados de fronteira e doou mais de 640 mil doses da vacina ao país vizinho.

“Iniciativas de imunização contra a doença também foram reforçadas em municípios fronteiriços com a Argentina e o Uruguai, além de cidades turísticas e com grande movimentação de pessoas”, acrescentou.

FONTE/CRÉDITOS: Bruno de Freitas Moura - Repórter da Agência Brasil

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