Nesta segunda-feira, 20, a websérie “A Peça da Semana” tem edição especial, que integra a programação da “15ª Primavera dos Museus”, promovida pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). O item selecionado pela equipe técnica da Fundação Museu Mariano Procópio (Mapro) é a câmera usada pela empresa Carriço Film, que documentou os principais fatos de Juiz de Fora, através de cinejornais, entre 1933 e 1956. Uma imagem da filmadora com tripé, da marca Zeiss 1kon, fabricada em Dresden, na Alemanha, e uma foto da equipe de empresa podem ser conferidas no Instagram @museumarianoprocopio e no Facebook museu.marianoprocopio.
Os historiadores da Mapro, Sérgio Augusto Vicente e Rosane Carmanini Ferraz, informam que um relatório institucional do Museu Mariano Procópio, datado de 1966, aponta a viúva de João Carriço e sua família como os responsáveis pela doação da filmadora. O objeto é descrito no documento como “primitiva máquina de filmar da extinta Carriço-Film, de propriedade do Sr. João Carriço, pioneiro do cinema em Juiz de Fora e em Minas Gerais”. Junto com a câmera, também foi doado um retrato do antigo proprietário, feito a crayon, por seu filho, Manoel Carriço. Tais peças passaram, logo em seguida, a ser expostas na “Sala Juiz de Fora”.
Com essa filmadora, a Carriço Film (conhecida pelo slogan “Tudo vê, tudo sabe, tudo informa”) produziu parte do vasto acervo de imagens que registram os mais diversos eventos de caráter político, econômico, cultural, social, esportivo e religioso ocorridos na cidade. João Gonçalves Carriço (1886-1959), fundador da referida empresa cinematográfica, era cineasta, fotógrafo, pintor e exibidor de filmes. Destacam-se na sua produção: os cinejornais e o registro fotográfico em still (fotógrafos de cena).
Considerado um dos pioneiros do cinema mineiro e brasileiro, o proprietário da câmera era filho do imigrante português Manoel Gonçalves Carriço, que possuía uma empresa de carruagens e de serviços funerários na cidade. Seus cinejornais, de curta duração, eram exibidos no Cine Teatro Popular, denominado “o amigo do povo”, que funcionou no município entre 1927 e 1966. Também de propriedade de João Carriço, o cinema, assim como sua produtora, ficava localizado na atual Avenida Getúlio Vargas e exibia filmes a preços acessíveis para um público bastante amplo, sobretudo as camadas populares.
Informações mais detalhadas sobre a coleção da empresa Carriço Film no Museu Mariano Procópio são apresentadas no artigo “Patrimônio Cinematográfico da Carriço Film: uma longa “saga” de perdas e recomeços”, assinado por Rosane Carmanini Ferraz e Sérgio Augusto Vicente e publicado na revista “Trama: arte, cultura e criatividade”.
