Os bancários de Juiz de Fora realizam nesta quinta-feira (20) uma paralisação que integra a mobilização nacional da Campanha dos Bancários 2026. O movimento é organizado pelo Sindicato dos Trabalhadores do Ramo Financeiro de Juiz de Fora, Zona da Mata e Sul de Minas (Sintraf-JF), que também prevê um ato em frente à agência Manchester, na Avenida Rio Branco.
Segundo o sindicato, a mobilização busca pressionar as instituições financeiras durante as negociações com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). Entre as principais reivindicações estão ganho real nos salários, preservação de empregos e direitos e melhoria das condições de trabalho.
Bancos ainda não apresentaram proposta
De acordo com a presidenta do Sintraf-JF, Taiomara Neto de Paula, trabalhadores e representantes das instituições financeiras já participaram de oito rodadas de negociação.
Segundo ela, o Comando Nacional dos Bancários apresentou as reivindicações e dados da categoria, mas os bancos ainda não teriam apresentado uma proposta.
A próxima rodada está prevista para terça-feira (25). Até lá, a orientação do movimento sindical é concentrar a mobilização na paralisação desta quinta-feira.
As reivindicações também incluem pautas específicas. Na Caixa Econômica Federal, o sindicato cobra melhorias no Saúde Caixa. No Banco do Brasil, estão entre as demandas questões relacionadas à reestruturação da instituição, condições de trabalho, valorização das carreiras e avanços econômicos.
Juiz de Fora perdeu 31 agências desde 2017
Outro ponto central da mobilização é a redução da rede física de atendimento bancário. Levantamento realizado pelo Sintraf-JF aponta que 31 agências foram fechadas em Juiz de Fora desde 2017, o equivalente a 47% das unidades consideradas no comparativo feito pela entidade.
Santander e Bradesco lideram o número de fechamentos, com oito unidades cada. O Itaú aparece na sequência, com sete agências encerradas. Também foram registradas três baixas no Banco do Brasil, duas no Mercantil e uma unidade em cada na Caixa Econômica Federal, BV e Banco Pan.
Em municípios da Zona da Mata, o sindicato contabiliza outros 11 fechamentos em Bicas, Rio Pomba, Mar de Espanha, Mercês, São João Nepomuceno, Rio Novo, Tabuleiro e Matias Barbosa. Segundo o levantamento, o número representa metade das unidades consideradas nessas cidades.
Sindicato aponta impacto sobre clientes e trabalhadores
Para o Sintraf-JF, a redução das agências afeta principalmente clientes que dependem do atendimento bancário presencial. O sindicato afirma que moradores de alguns municípios passaram a precisar viajar para outras cidades para resolver determinadas demandas.
A entidade aponta impactos especialmente entre aposentados e pessoas que enfrentam dificuldades para utilizar serviços digitais ou não possuem acesso à internet.
A redução da estrutura física também é apontada pelo sindicato como fator de pressão sobre os trabalhadores que permanecem nas agências. Entre os problemas citados estão sobrecarga de trabalho, insegurança em relação ao emprego e adoecimento relacionado às condições de trabalho.
Segundo Taiomara, a expansão dos canais digitais vem acompanhada da redução das equipes presenciais, aumentando a pressão sobre os funcionários.
A presidenta do sindicato também afirma que a categoria enfrenta problemas relacionados a práticas de assédio moral e afastamentos por doenças relacionadas ao trabalho.
A paralisação desta quinta-feira ocorre enquanto as negociações permanecem em andamento. A expectativa do movimento sindical é pressionar as instituições financeiras por avanços antes da próxima rodada, marcada para o dia 25.
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