Fazer escolhas exige presença emocional. Ou seja, se por vezes você se pega fugindo das emoções dolorosas, nesse momento, provavelmente elas aparecerão. Escolher alguma coisa, significa, necessariamente, deixar de escolher e de viver muitas outras possibilidades. Então, você elege algo e o ganha, mas também perde. Entretanto, o ser humano não gosta de perder nada. Não costumamos lidar bem com as perdas.
Está duvidando disso? Pois bem, vamos fazer um simples exercício para que você entenda como é complicado perder alguma coisa. Se você é uma pessoa com cabelos grandes e usa presilhas ou algo para prender os cabelos, já viveu a experiência de perder a sua presilha? Se você usa a caneta no seu trabalho e já perdeu ela bem quando precisava anotar algo importante ou assinar um documento, como você se sentiu? Engraçado como perder algo tão pequeno e barato pode nos fazer, pelo menos por alguns instantes, ficar chateados.
Agora imagine perder um emprego, perder um carro, perder uma casa, perder as economias de uma vida inteira, perder a saúde, perder um namorado, perder um amigo, perder o casamento, perder um ente querido... Doeu aí? Pois bem.
São experiências extremamente estressantes. Talvez você tenha pensado: Puxa! Bens materiais não deveriam estar nesta lista, junto com as pessoas. De fato, bens materiais podem ser recuperados. Mas você já viveu a experiência de perder tudo o que conquistou com o esforço de uma vida? Se nunca passou por isso, não minimize essa dor.
E claro, pessoas, nem sempre são ‘recuperáveis’. Alguns relacionamentos quebrados, que julgávamos estarem ‘perdidos’ podem ser consertados, com paciência e empenho podem, inclusive, melhorar com o tempo. Mas perder alguém para a morte é perder muito, perder de verdade, isso é irrecuperável. Ninguém quer passar por isso, e é totalmente compreensível. E onde as escolhas entram nessa conversa?
Bom, ao longo da nossa vida, inevitavelmente vamos viver algumas situações desafiadoras e dolorosas, são situações inevitáveis. Então, para evitar conviver com a responsabilidade de saber que estamos vivendo algo que de fato é consequência de nossas escolhas, costumamos terceirizá-las. Talvez para não lidar emocionalmente com a responsabilidade que elas carregam. Ou quem sabe, por ser mais fácil, simplesmente quando as coisas dão errado olhar para o outro e culpá-lo. Isso nos isenta da responsabilidade de lidar com a nossa própria vida. De fazer o que precisa ser feito.
Mas ironicamente é só quando assumimos o problema como nosso, de fato, que ele pode ser resolvido com muito mais facilidade. E se é preciso resolver alguma coisa, certamente você precisará fazer algumas escolhas, tomar decisões ou mudar de atitude.
Mas como aumentar as chances de fazer boas escolhas? Existem várias estratégias que podem ser usadas. Você pode listar as vantagens e desvantagens, antes de tomar alguma decisão. Você pode pensar a curto, médio e longo prazo, para ter uma visão mais equilibrada sobre as possíveis consequências das suas escolhas. Pode inclusive, reconhecer os seus valores inegociáveis e ‘escolher’ sempre considerando esses valores. Enfim, você só não consegue é fugir das consequências das suas escolhas.
Em algumas situações, é possível contar com o apoio de pessoas próximas para lidar com os nossos desafios, mas isso não é a realidade de todas as pessoas. Escolher, pode ser tão desafiador, que em alguns momentos precisamos desencorajar uma escolha precipitada. Vou lhe dar um exemplo. Alguém sofrendo com depressão, pode tomar a atitude de querer abruptamente sair do emprego ou mudar de cidade, de estado, de país, enfim, tomar uma decisão que pode ser definitiva e com vários desdobramentos em sua vida.
Quando estamos com as emoções muito à flor da pele, quando parece que estamos atravessando uma grande tempestade dentro de nós é hora de procurar o equilíbrio e a direção. Todos nós vamos viver muitas estações. Para tomar boas decisões precisamos entender em qual estação nós estamos vivendo.
Já observou que muito do sofrimento humano está relacionado a essa dificuldade em compreender o seu momento de vida? Algumas pessoas estão num momento em que precisam colocar o foco e a energia no seu trabalho e nos estudos, outras estão em outro momento, precisam se voltar para a criação dos filhos, pois entendem que isso é importante, outras estão cuidando de pessoas queridas, ou viajando.
Mas o sofrimento acontece quando temos muita urgência em viver uma fase que ainda não chegou para nós. Entender qual é a nossa estação e onde nós queremos chegar nos ajuda a fazer escolhas melhores e ter boas atitudes. Agora, que tal fazer um exercício simples, porém útil para viver uma vida que vale a pena ser vivida?
Feche os seus olhos por um instante, concentre-se na sua respiração, no seu próprio corpo. Fique numa postura confortável. Imagine a sua vida passando, o tempo passando... Imagine-se no seu aniversário de 80 anos. Todas as pessoas que você ama e são importantes para você estão presentes. Num momento, durante a festa, as homenagens vão começar. E diante de você as pessoas presentes ali, um a um, vão subir no palco, se dirigir a você e falar sobre você. O que você gostaria que eles falassem, em voz alta, a seu respeito?
Percebe que nem sempre estamos conectados, verdadeiramente com a vida que queremos viver? Ou não estamos agindo em conformidade com o que realmente é importante para nós?
Quem aprende a fazer boas escolhas, aprende a viver com mais significado e leveza. A vida sorri de volta quando aprendemos a pisar no terreno do nosso coração. Se você não fez boas escolhas até aqui, apenas respire fundo e recomece. Sempre é tempo de retomar as rédeas da própria vida e conduzi-la por um caminho mais bonito.
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