O calendário eleitoral brasileiro impõe, historicamente, um desafio ao desenvolvimento urbano que paralisa as obras públicas provocadas pela transição de governos e pela retenção de repasses federais. No entanto, no mercado que tem um dos metros quadrados mais caros do país (FipeZAP), a solução para o "risco político" foi a privatização do planejamento urbano.
Em Balneário Camboriú (SC), o setor imobiliário e a sociedade civil organizada estruturaram uma governança que desvincula o avanço da infraestrutura da cidade das oscilações de Brasília. O modelo opera por meio de um fundo de outorgas onerosas e, principalmente, pela injeção direta de capital privado na concepção de projetos públicos.
O Instituto +BC é uma organização mantida por mais de 40 empresas locais. Em vez de esperar por licitações ou emendas parlamentares, a iniciativa privada contrata e custeia os estudos e projetos executivos de grandes obras, e os doa prontos para a execução da prefeitura. Foi assim com o projeto de alargamento da praia, que estava travado há mais de 20 anos, e, agora, com a nova infraestrutura da Avenida Brasil (paralela à beira-mar), que receberá reurbanização completa com proposta de fiação subterrânea. Somente o Instituto financiará cerca de R$ 10 milhões apenas na fase de projeto da obra.
"Em um ano de cautela política generalizada e juros restritivos, o investidor foge de cidades onde a infraestrutura depende de promessas eleitorais", analisa Marcos Gracher, presidente do Instituto +BC. "O que o setor privado estruturou aqui é uma espécie de proteção ao desenvolvimento urbano. Nós garantimos a evolução da cidade com recursos próprios. Projetar a nova orla ou a nova Avenida Brasil com capital privado significa que as obras acontecerão independentemente de quem ocupe a cadeira do Executivo em nível estadual ou federal”, destaca.
Adensamento qualificado e a tese de proteção de capital
A estratégia de autossuficiência em infraestrutura é uma resposta à própria geografia da cidade. Com a segunda maior taxa de verticalização do país (57,22% da população em apartamentos) e crescimento demográfico de 30% no último Censo, Balneário Camboriú esgotou a fase de expansão desordenada.
Para sustentar o ticket médio de lançamentos de luxo e a nova onda de projetos e expansão para outros bairros, além da beira-mar e da região central, a cidade precisa de novos investimentos e modernização em saneamento, segurança hídrica e mobilidade de padrão global. Ao proteger esse masterplan urbano contra a volatilidade política e a dependência do pacto federativo, Balneário Camboriú quer se posicionar como uma reserva de valor institucionalmente segura para o capital em tempos de incerteza macroeconômica.
Sobre o Instituto +BC
Criado em 2017, o Instituto +BC é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, mantida por mais de 40 empresas de diferentes setores de Balneário Camboriú (SC). A entidade atua em um modelo de articulação entre iniciativa privada, poder público e instituições especializadas para viabilizar projetos estruturantes de interesse coletivo e foi pioneira no estado. Entre as iniciativas desenvolvidas estão os estudos que embasaram o alargamento da Praia Central, a reurbanização da orla, o diagnóstico de saneamento e drenagem e o Parque Inundável Multiuso do Rio Camboriú. Os projetos e estudos coordenados pelo Instituto são posteriormente doados ao município para implementação.
Mais informações: https://maisbc.com/

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