O Sindicato das Empresas Transportadoras de Combustíveis e Derivados de Petróleo do Estado de Minas Gerais (Sindtanque-MG) aderiu à manifestação dos caminhoneiros, que bloqueia rodovias em diversas partes do país. Segundo o presidente do sindicato, Irani Gomes, o bloqueio vai permanecer até que o presidente Jair Bolsonaro (PL) se manifeste publicamente acerca da vitória de Lula (PT), anunciada no último domingo (30).
Falando à Tribuna, o presidente do sindicato não descartou a possibilidade de desabastecimento de combustíveis em todo o estado de Minas Gerais.
“Estamos sem informação nenhuma do nosso presidente Jair Bolsonaro, então vamos parar, cruzar os braços até ele se posicionar.” De acordo com ele, a paralisação segue por tempo indeterminado e o desabastecimento pode ocorrer nos próximos dias. Até o momento, o Sinditanque afirmou que ainda não há como mensurar os impactos da paralisação.
Pela manhã, o mesmo sindicato havia se posicionado contrário aos bloqueios de estradas, mas, segundo Irani, isso só ocorreu porque a entidade não havia se reunido em assembleia. O presidente do Sinditanque também reforça a unanimidade da decisão. “Todo mundo se sente representado. Nós não concordamos com a forma na qual essas eleições foram feitas. Foi divulgado que o Exército ia acompanhar a apuração, mas após as eleições não houve manifestação nenhuma, nem do Exército, nem do Bolsonaro.”
Divergências no movimento
Diferente de Irani, ao menos três representantes de caminhoneiros se pronunciaram dizendo que os protestos não refletem a maior parte da demanda das categorias. Os protestos incluiriam manifestantes que não são caminhoneiros, segundo os líderes. O presidente da Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, conhecido como Chorão, afirmou que não vê 100% da categoria representada. “São pessoas que estão descontentes com o resultado das eleições. A gente está tentando levantar de onde está saindo o movimento”, disse em matéria divulgada pela Agência Estado.
Em relação às imagens que circulam em grupos de WhatsApp e redes sociais, que falam em intervenção militar para reverter o resultado do pleito, Chorão foi categórico: “Fico muito triste de muitas pessoas usarem o nome dos caminhoneiros. Não luto e nunca vou lutar contra a democracia do país. Minha linha é mais de pacificação, conversar, dialogar e unificar o país.”
Bloqueios por todo Brasil
De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), ainda não há bloqueios em Juiz de Fora, porém, cidades próximas, como Muriaé e Manhuaçu, já foram alcançadas pela paralisação. O bloqueio ocorre na BR-262 e BR-116, com interdição na altura do km 50, no entroncamento com o km 590 da BR-116, em Manhuaçu, causando congestionamento na estrada. Em Muriaé, a manifestação ocorre na BR-116, na altura do km 702.
Também em Minas Gerais há paralisações em Uberaba, na BR-050, na altura do km 176. Há congestionamento no local, e os manifestantes estão liberando a passagem apenas de carros de passeio e ambulâncias em ônibus.
As manifestações de caminhoneiros apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) acontecem em escala nacional, desde a noite de domingo. Ao menos 11 estados já confirmaram pontos de interdições em estradas e, nas redes sociais, circulam vídeos de fechamentos de rodovias, incluindo barricadas com fogo em pneus. Além de Minas Gerais, Paraná, Mato Grosso, Santa Catarina e Bahia estão entre os estados que passam pelo problema.
No Rio de Janeiro, outro local com manifestação, um bloqueio na rodovia Presidente Dutra, no município de Barra Mansa, no sul do estado, causa congestionamento.

RCWTV