Seis mulheres foram indiciadas em Franca, São Paulo, pela Polícia Civil, por sequestro e cárcere privado. A ação criminosa, ocorrida entre 5 e 6 de julho, teve como vítimas a mãe, irmã adolescente e sobrinha recém-nascida de Maria Isabel. O objetivo era forçar as vítimas a revelar o paradeiro de Rafael e Guilherme, que desapareceram e foram encontrados mortos.
Noemi Vitória de Sousa Rosa, tia de Rafael e apontada como articuladora, Larissa Jhenifer Melo, Marcela Eduarda Melo de Paula, Ana Laura de Sousa Rosa Alves, Kauany Eduarda Melo Cruz e Kelly Cristina Queiroz Cardoso estão entre as indiciadas. A formalização dos indiciamentos ocorreu em 16 de julho, conforme divulgado pela polícia local.
O Sequestro e a Cobrança
De acordo com os depoimentos colhidos pela investigação, Noemi Vitória de Sousa Rosa, acompanhada das outras mulheres, dirigiu-se à casa da família de Maria Isabel. Ali, elas teriam exigido, de forma agressiva, informações sobre o paradeiro de Rafael e Guilherme, que estavam desaparecidos. Além disso, os celulares das vítimas e suas senhas foram retidos.
A polícia aponta que as vítimas foram retiradas de casa e levadas para pelo menos três endereços diferentes em Franca. A coordenação desses deslocamentos teria sido feita por Noemi, evidenciando uma ação planejada. O destino final do cativeiro foi a residência de Kelly Cristina Queiroz Cardoso, localizada no Jardim Aeroporto III.
Neste local, a mãe de Maria Isabel, sua irmã adolescente e a bebê recém-nascida foram mantidas em cárcere privado. O resgate foi efetuado pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) em 7 de julho. Maria Isabel, no entanto, não foi localizada durante a operação.
Durante o resgate, Wellington Silva, responsável por vigiar o cativeiro, tentou fugir e chegou a quebrar o próprio celular para dificultar a identificação. Ele se apresentou com um nome falso, mas foi posteriormente identificado e preso em flagrante. Sua prisão foi convertida para preventiva pela Justiça.
A mãe de Maria Isabel reconheceu objetos apreendidos com Wellington, como uma botina e uma blusa, confirmando que eram os mesmos usados pelo homem que monitorava as vítimas no cativeiro. Esses elementos reforçam a materialidade do crime e a participação dos envolvidos.
Cronologia dos Fatos
O caso se desdobra em uma série de eventos interligados, desde o assassinato inicial até o sequestro da família:
- 16 de junho: O caseiro Milton de Sousa Prado é morto em uma chácara onde trabalhava em Franca.
- 25 de junho: Segundo o inquérito policial, Maria Isabel confessa ter pedido a Rafael e Guilherme que dessem um "corretivo" no pai, Milton, resultando em seu assassinato.
- Fim de junho: Rafael e Guilherme desaparecem.
- 5 e 6 de julho: A mãe, a irmã adolescente e a sobrinha recém-nascida de Maria Isabel são sequestradas pela tia de um dos jovens desaparecidos, Noemi Vitória de Sousa Rosa. Elas são levadas a diferentes endereços em Franca e pressionadas por informações.
- 7 de julho: A Polícia Civil resgata a mãe, a irmã e a sobrinha de Maria Isabel em um cativeiro no Jardim Aeroporto III. Wellington Silva é preso em flagrante. Maria Isabel não é localizada.
- 9 de julho: Os corpos de Rafael e Guilherme são encontrados em Sacramento (MG). Um tio de Maria Isabel, irmão de Milton, é preso em Minas Gerais por ocultação de cadáver.
- 10 de julho: O carro de Maria Isabel é encontrado queimado perto de Ibiraci (MG).
- 16 de julho: A Polícia Civil formaliza os indiciamentos no inquérito que apura o sequestro da família.
A investigação continua em andamento para esclarecer todos os detalhes e possíveis conexões dos crimes, buscando justiça para todas as vítimas envolvidas nesta complexa trama de violência e desaparecimentos.

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