A Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH) da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) realizou, na manhã desta quarta-feira, 21, o quarto encontro para capacitação, ampliação e valorização profissional da equipe técnica e administrativa da Casa da Mulher, voltada para o atendimento das mulheres atendidas pela instituição. A capacitação é promovida pelo Departamento de Formação e Educação Permanente em Direitos Humanos (DFEPDH) da SEDH e contou com a parceria da Coordenadoria da Juventude e da Supervisão de Educação em Direitos Humanos daquela secretaria, promovendo um debate sobre “Comunidade LGBTQIA+ e Liberdade Religiosa”.
Entre os assuntos abordados estão a importância do acolhimento das mulheres vítimas de violência pelas religiões que professam; a necessidade da construção de um lugar de fala, de um espaço e do direito ao discurso para estas mulheres na fé que professam; a necessidade de um atendimento sem julgamentos de valores e princípios; e a inclusão da população LGBTQIA+ nos espaços (educacional, de saúde, familiar, de crença e político), como proposta de enfrentamento à violência contra este público. Além de estimular o uso de instrumentos técnicos operacionais, a capacitação também reforçou a importância do trabalho em rede e simulou situações cotidianas por meio de estudos de caso.
Para a supervisora de educação em direitos humanos do DFEPDH da SEDH, Ana Lúcia de Araújo Portes, o debate proposto tem por objetivo elaborar estratégias de atendimento para entender de que forma a violência perpassa também o ambiente religioso. “O que elas buscam na espiritualidade, muitas vezes, é esse acolhimento. E, muitas vezes, podem encontrar violação, seja física, moral, psicológica. É importante reconfigurar este espaço e compreender de que forma ele, ao invés de ser violador, pode ser de acolhimento. Entendendo esse espaço e compreendendo de que forma a religiosidade e a espiritualidade podem estar contribuindo efetivamente com atitudes de violência, poderemos ter uma escuta mais apurada.”
De acordo com a coordenadora de Políticas para a Juventude da SEDH, Luiza Gonçalves Lovisi Travassos, no âmbito da luta contra a homofobia e violência sofrida pelas mulheres lésbicas, bissexuais, transexuais, queers, intersexuais e assexuais, a capacitação se torna um apoio importante. “O objetivo desta formação é despertar o olhar atento das servidoras da instituição para estas especificidades que a população feminina LGBTQIA+ traz consigo. Mais do que um olhar atento, é preciso um olhar não preconceituoso, que lance mão dos julgamentos ou valores ao atender essas mulheres. A gente identifica que esse espaço da igreja, independente de qual religião, tem uma tendência a não aceitação da população LGBTQIA+ e de reproduzir essa violência e esse preconceito.”
De acordo com a gerente do Departamento de Formação e Educação Permanente em Direitos Humanos (DFEPDH), Flávia Beghini, o Comitê Municipal de Diversidade Religiosa (CDR/JF) também surge como um auxílio na luta contra a violação de direitos das mulheres nos âmbitos de religião e gênero. “O Comitê é para aconselhamento da prefeita e tem como objetivo a abordagem de todas as pautas que perpassam pela questão da diversidade religiosa, inclusive a pauta da mulher em relação à religiosidade e a pauta LGBTQIA+.
A coordenadora da Casa da Mulher, Fernanda Moura, enfatizou a importância da formação para equipe da Casa da Mulher. “É fundamental o debate sobre as temáticas tratadas no encontro de hoje para auxiliar e aprimorar, cada vez mais, o atendimento da equipe da Casa da Mulher.”
O evento deu continuidade ao módulo 2, iniciado no último dia 2 de maio, com o tema "Mulher, Direito e Sociedade", que tem o objetivo de promover o intercâmbio entre a Casa da Mulher e as coordenadorias de políticas públicas vinculadas à SEDH, com abordagens de temáticas relacionadas a questões de gênero e violência doméstica. O próximo encontro da capacitação será realizado no dia 17 de agosto com as temáticas Pessoas com Deficiência e População em Situação de Rua, fechando os temas propostos para o módulo 2.
Casa da Mulher
A Casa da Mulher Maria da Conceição Lammoglia Jabour é um centro municipal de atendimento às mulheres em situação de violência doméstica na cidade, humanizado e especializado. O espaço é referência no tratamento e enfrentamento dos casos de violência contra as mulheres, oferecendo atendimento psicológico e jurídico às mulheres vítimas de violência sexual, física e psicológica, seja ela esporádica ou recorrente.
A instituição também coordena políticas para as mulheres, elabora e implementa campanhas educativas e não discriminatórias, contribuindo para eliminar preconceitos, atitudes e padrões de comportamento social que perpetuam a violência contra o gênero. O atendimento é realizado de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h, na Avenida Garibaldi Campinhos 169, Vitorino Braga, em frente ao Colégio Santos Anjos.
Outras informações:
(32) 3690–7292 - Casa da Mulher
Secretaria Especial de Direitos Humanos (Sedh) - (32) 3690-7331 - ou pelo e-mail [email protected]
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