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Produtores de cachaça discutem inovação e valorização da produção em Alto Rio Doce

Encontro reuniu cerca de cem participantes para tratar de tecnologia, manejo da cana, envelhecimento da bebida e novas oportunidades para alambiques da região

Henrique Salvato
Por Henrique Salvato
Produtores de cachaça discutem inovação e valorização da produção em Alto Rio Doce
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Cerca de cem pessoas participaram do 2º Dia de Campo Da Cana ao Destilado, realizado no sábado (12), na Cachaça Tia Maria, no distrito de Abreus, em Alto Rio Doce, na Zona da Mata de Minas Gerais. O encontro reuniu produtores de cachaça, pesquisadores, técnicos, empresas e representantes de diferentes segmentos da cadeia produtiva.

A programação foi promovida em parceria pelo Sistema Faemg Senar, Sindicato Rural de Barbacena e Sicoob Credivertentes, com a presença de fabricantes de alambiques e tonéis, além de empresas de equipamentos e insumos.

Tecnologia e novas técnicas no campo

Durante o encontro, o gerente do Escritório Regional de Juiz de Fora, Emerson Simão, destacou a importância de aproximar novas tecnologias da realidade dos produtores, principalmente diante das dificuldades relacionadas à mão de obra no meio rural.

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A programação começou com uma apresentação do professor e pesquisador da Universidade Federal de Viçosa (UFV) Luis Cláudio da Silveira, membro da Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento Sucroenergético (Ridesa). Ele abordou o manejo da cultura da cana-de-açúcar em soqueira.

Na sequência, o instrutor do Senar Minas Arnaldo Ribeiro apresentou alternativas para o envelhecimento da cachaça utilizando fragmentos de madeira. A técnica de acondicionamento, legalizada no fim de 2022, permite o uso de pedaços de árvores dentro de tonéis de inox ou madeira para modificar as características sensoriais da bebida.

Segundo o instrutor, a técnica pode reduzir o período necessário de armazenamento e, consequentemente, os custos de produção. Ele também ressaltou o potencial ambiental da utilização de árvores cultivadas pelos próprios produtores para obtenção dos fragmentos de madeira.

A programação da manhã foi encerrada com uma palestra do fiscal agropecuário químico do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), Flávio Alves Santos, sobre a terceirização do envase e as oportunidades para produtores registrados como atacadistas.

Uma das empresas parceiras também realizou uma demonstração de colheita mecanizada, atividade que despertou a atenção dos participantes.

Região busca indicação geográfica para a cachaça

Além das atividades técnicas, o encontro marcou o anúncio de uma iniciativa para ampliar o reconhecimento da produção regional. O presidente da Associação Nacional de Cachaça de Alambique (Ampaq), Sérgio Maciel, e o presidente da Associação dos Produtores da Cachaça do Vale do Piranga (Germinas), Luiz Augusto Monteiro, anunciaram o pedido de reconhecimento da Bacia do Rio Piranga como região de indicação geográfica para a produção de cachaça.

A área reúne 57 municípios produtores e possui 170 alambiques registrados no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), número apontado como o maior do Brasil.

Para Sérgio Maciel, o reconhecimento pode contribuir para fortalecer a identidade da produção regional e ampliar o espaço da bebida nos mercados nacional e internacional. Atualmente, segundo ele, Minas Gerais possui uma indicação geográfica para a produção de cachaça, em Salinas.

O produtor Vagner Vicente, de Rio Espera, avaliou que o encontro permitiu conhecer diferentes etapas da cadeia produtiva e buscar alternativas para levar inovação ao campo. A anfitriã Maria Augusta Ribeiro, conhecida como Tia Maria, que produz cachaça há cerca de 20 anos, também destacou a importância da troca de experiências entre os produtores.

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