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Quarta-feira, 27 de Maio 2026
Brasil/Mundo

Novo Brics não é o amanhã de uma nova guerra fria

Ainda sobre o Brics, este contribuirá para equilíbrio do comércio mundial

Simone Carvalhal
Por Simone Carvalhal
Novo Brics não é o amanhã de uma nova guerra fria
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A intenção do Brics é equilibrar o comércio Mundial.

Em 2 de agosto ,  o embaixador a África do Sul no Brics disse que a 15ª cúpula do grupo em Joanesburgo iniciaria ¨uma mudança tectônica na arquitetura geopolítica global¨. Embora a cúpula que terminou em 24 de agosto tenha ficado decididamente aquém disso, porém com o tempo...,ela consolidou o Brics como o motor mais importante da agenda do Sul Global, superando o G20 como principal fórum econômico para países em desenvolvimento.

O resultado mais surpreendente e consequente da cúpula foi o anúncio de que o bloco, composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, concordou em convidar seis novos membros - Argentina, Egito, Etiópia, Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos- para se juntarem ao grupo em 2024.

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O Brics+, como vem sendo chamado o grupo expandido, representará uma parcela significativamente maior do PIB global do que o clube G7, das sete democracias industriais avançadas.

Essa expansão é uma vitória diplomática para a China, que há muito busca expandir o Brics como um veículo para fazer avançar seus interesses nacionais e contrabalançar a influência ocidental. O fato de quase 40 países terem manifestado interesse em participar.

Uma das primeiras consequências da expansão do bloco, de acordo com especialistas, deverá ser a perda de influência do Brasil em decisões no grupo.

Isso porque, na prática, mais do que dobrar o número de participantes vai reduzir o peso individual de cada país nas discussões internas.

 

“Para o Brasil, que sempre defendeu a importância do Sul Global, interessa que se amplie o Brics, apesar da perda de força interna. Quando você amplia o grupo [de cinco para 11 países], a força da voz do Brasil diminui”, avalia Lia Valls Pereira, pesquisadora associada Fundação Getulio Vargas (FGV-Ibre). 

Lia Valls diz, ainda, que a ampliação fortalece a posição da China no cenário político global, além de atender a diferentes interesses dos atuais integrantes do grupo.

Segundo ela, a entrada do Irã, por exemplo, contempla a Rússia. Enquanto o Brasil patrocinou a adesão da Argentina, seu principal parceiro comercial na América do Sul.

O pesquisador Renato de Almeida Vieira e Silva relembra que a diplomacia brasileira era contrária à expansão, em uma tentativa de assegurar o peso do país no bloco.

Nos últimos meses, porém, o governo cedeu por desejar o apoio da China em uma eventual entrada definitiva no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

 

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Simone Carvalhal

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