No Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo (08/03), o destaque no setor produtivo mineiro recai sobre a comunidade de Carangolinha de Cima, em Divino. Dos 200 moradores da localidade, 60% são mulheres que gerenciam todas as etapas da cadeia agrícola, desde o plantio até a comercialização de cafés especiais, hortaliças e quitandas. A produção feminina abastece atualmente feiras livres, mercados locais e programas de alimentação escolar da região.
A independência financeira e a quebra de estigmas no campo são marcas da nova geração de produtoras. Renata de Souza Gomes, agricultora de 40 anos e graduada em Educação do Campo, exemplifica essa transição. Segundo ela, o orgulho de declarar a profissão substituiu a invisibilidade de décadas anteriores. Mesmo enfrentando preconceitos estruturais, as produtoras adaptam processos logísticos para garantir a autonomia na gestão das propriedades, que antes ficava restrita às figuras masculinas.
Assistência técnica e modernização do cultivo
O fortalecimento do trabalho feminino na comunidade conta com o suporte estratégico da Emater-MG, vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa). As agricultoras participam de capacitações técnicas, que incluem cursos de análise de solo e classificação de produtos. O foco na profissionalização permitiu que a comunidade diversificasse a oferta de alimentos, incluindo variedades de frutas e grãos.
Em (2025), a comunidade deu um salto produtivo com o Programa Irriga Minas. Das 49 tecnologias de irrigação entregues no município de Divino, 27 kits foram destinados diretamente às mulheres de Carangolinha de Cima. A infraestrutura permitiu a expansão da oferta para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), elevando diretamente a renda das famílias rurais.
Legado familiar e sucessão rural
A presença feminina na região remonta ao século passado, iniciada por pioneiras como Geisha Neto de Souza, de 90 anos. Atualmente, a sucessão rural é garantida pela permanência das novas gerações no campo, que unem o conhecimento tradicional às tecnologias modernas. A produção de cafés com o selo "Produzido por mulheres" tem sido uma ferramenta de marketing e afirmação do setor na Zona da Mata, consolidando Divino como um polo de força feminina no agronegócio familiar mineiro.
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