Na véspera do Dia das Crianças, celebrado em 12 de outubro, a websérie “A Peça da Semana”, da Fundação Museu Mariano Procópio (Mapro), vai apresentar uma edição de 1868 do livro “Fábulas”, escrita pelo poeta e fabulista francês Jean de La Fontaine (1621–1695). Detalhes da publicação, como encadernação e ilustrações, poderão ser conferidas a partir da próxima segunda-feira, 11, no Instagram @museumarianoprocopio e no Facebook museu.marianoprocopio.
Conforme a historiadora da Mapro, Priscila da Costa Pinheiro, as diversas edições da obra, publicadas ao longo dos três últimos séculos, contemplam tanto o público adulto quanto o infantojuvenil. “A publicação contribuiu para a construção dos repertórios culturais de diferentes gerações.” O exemplar existente na Biblioteca do Museu Mariano Procópio é uma reedição francesa, produzida em Paris pela Librairie de L. Hachette et Cie. “A obra, que possui mais de 800 páginas e reúne os 12 livros de fábulas publicados por La Fontaine, chama atenção pela encadernação de luxo, pelas dimensões e ilustrações,” observa Priscila.
O exemplar tem 37,5 cm de altura, 29,5 cm de largura e 6 cm de espessura. Possui encadernação vermelha de capa dura, com gravações em dourado. “As ilustrações são assinadas pelo renomado desenhista e gravurista francês Gustave Doré (1832-1883), que também ilustrou outras importantes obras da literatura universal, como “A divina comédia”, “Dom Quixote” e a Bíblia”, ressalta a historiadora. Ela acrescenta que a edição destacada na websérie pertencia a Alfredo Ferreira Lage, fundador do Museu Mariano Procópio, e foi doada à Biblioteca do equipamento cultural em 1939, ano em que o setor foi inaugurado.
Inspirado pela tradição clássica, La Fontaine escreveu 240 fábulas em verso, distribuídas em 12 livros, que foram publicados entre os anos de 1668 e 1694. Dentre as fábulas mais conhecidas, destacam-se “A cigarra e a formiga”, “A lebre e a tartaruga”, “O leão e o rato”, “A raposa e as uvas” e “O conselho dos ratos”.
Fábulas são histórias curtas, escritas em linguagem simples e que trazem um ensinamento, chamado de “moral da história”. Os personagens são animais antropomórficos, ou seja, possuem características e comportamentos humanos. Através deles, La Fontaine retratou a corte francesa da segunda metade do século XVII, período marcado pelo reinado de Luís XIV, conhecido como Rei Sol. Além do homem da corte, o autor retratou o homem comum. “Ao abordar temas como a vaidade, o poder, a astúcia, a bajulação, a força, a amizade e a generosidade, La Fontaine apresenta uma crítica não somente à sociedade de sua época, mas à natureza humana, com suas virtudes e defeitos, conflitos e ambições. Por isso, as “Fábulas”, escritas de forma satírica e didática, permanecem atuais. La Fontaine afirmou que se servia dos animais para instruir os homens,” conclui Priscila.
