O presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou descontentamento, nesta quinta-feira (19), com a redução de apenas 0,25 ponto percentual na Taxa Selic, os juros básicos da economia. O Banco Central implementou este corte, o primeiro em quase dois anos, na reunião da última quarta-feira (18), mesmo em meio às crescentes tensões no Oriente Médio.
“Estou desapontado, pois minha expectativa era que o nosso Banco Central promovesse uma redução de, no mínimo, 0,5%. No entanto, o corte foi de apenas 0,25 ponto, justificando-o pela guerra. É inconcebível que este conflito se manifeste até mesmo nas decisões do nosso Banco Central”, declarou o presidente Lula durante um evento governamental em São Paulo.
De forma unânime, o Comitê de Política Monetária (Copom) deliberou pela diminuição da Selic, passando de 15% para 14,75% ao ano. Essa decisão já era antecipada pelo mercado financeiro, conforme o boletim Focus, embora parte dos analistas aguardasse um corte mais expressivo. Antes da intensificação do conflito no Oriente Médio, a projeção majoritária era de uma redução de 0,5 ponto percentual.
“Estamos empreendendo um esforço monumental, cuja dimensão vocês não conseguem mensurar, para impulsionar o crescimento econômico, gerar empregos e elevar os salários da população”, acrescentou Lula, aludindo aos efeitos negativos que uma Selic elevada exerce sobre a economia, como a desaceleração da atividade.
Com a taxa em 15% ao ano, a Selic alcançava seu patamar mais elevado desde julho de 2006, quando estava em 15,25% anuais. Entre setembro de 2024 e junho de 2025, a taxa foi ajustada para cima em sete ocasiões consecutivas, permanecendo inalterada nas quatro reuniões subsequentes.
Na ata da reunião de janeiro, o Copom havia sinalizado o início de um ciclo de cortes de juros para a reunião desta semana. Contudo, o comunicado divulgado na quarta-feira (18) revelou uma postura mais prudente, motivada pelo aumento das incertezas decorrentes do conflito no Oriente Médio. O Banco Central não descartou a possibilidade de reavaliar o ciclo de redução, se necessário.
A taxa básica de juros serve como balizador para as demais taxas da economia e constitui o principal instrumento do Banco Central para assegurar o controle inflacionário. A projeção do mercado indica que a Selic deverá encerrar o ano de 2026 em 12,25% anuais.
Inflação
A inflação oficial, aferida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), registrou aceleração para 0,7% em fevereiro, influenciada principalmente pelos gastos com educação. Não obstante, o acumulado em 12 meses recuou para 3,81%, situando-se abaixo dos 4% pela primeira vez desde maio de 2024.
Segundo o último boletim Focus, a estimativa para a inflação de 2026 foi revisada de 3,8% para 4,1%, em consequência do conflito no Oriente Médio.
Esse patamar representa uma inflação ligeiramente inferior ao limite superior da meta contínua estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual, permitindo que chegue a 4,5%.

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