A ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal, permitiu ao governador do Amazonas, Wilson Lima, o não comparecimento à CPI da Pandemia porque ele também é investigado na Operação Sangria, deflagrada na semana passada, que resultou em uma denúncia contra ele por suspeita de desvios na condução da pandemia no estado. A ministra recuperou uma decisão do STF que proibia as "conduções coercitivas", ou seja, quando um investigado era levado a depor. De acordo com ela, se o governador fosse obrigado a comparecer, ele estaria sendo obrigado a participar de um interrogatório, em prática análoga à condução. Senadores acreditam que decisão podre criar efeito cascata no restante dos governadores investigados, que podem utilizar pedidos judiciais para não deporem.
Um exemplo citado por integrantes da comissão de inquérito é o do governador do Pará, Helder Barbalho, cujo depoimento foi marcado para o final deste mês. Assim como Wilson Lima, Helder Barbalho também é investigado por eventuais irregularidades no combate ao coronavírus. Há também investigações no combate ao coronavírus nos governos da Bahia, Minas Gerais e São Paulo.
Wilson Lima nega as suspeitas de irregularidades no combate à pandemia. Já o governo paraense afirma que foi a própria gestão estadual quem denunciou o mau funcionamento de equipamentos de saúde e conseguiu o ressarcimento dos recursos investidos. O governo de São Paulo disse que “causa espanto que a Procuradoria-Geral da República gaste recursos públicos e dedique seu tempo a apurar ações de quem agiu para combater a pandemia". A gestão baiana disse que se constatou procedimento fraudulento por uma empresa contratada, mas que o governador declara ser o maior interessado no aprofundamento das investigações. Já o governo mineiro esclareceu que hospital de campanha no estado "foi quase integralmente estruturado pela iniciativa privada", sendo que a contratação de organização social nunca se efetivou.