Delfim Moreira, no Sul de Minas, vem se destacando na produção de pinhão como uma atividade que une geração de renda, preservação ambiental e valorização da cultura local. Com cerca de mil hectares de araucárias produtivas e uma estimativa de 500 mil quilos de pinhão colhidos em 2025, a cidade é a segunda maior produtora da semente no estado.
A colheita do pinhão é feita de forma extrativista, quando a semente madura cai naturalmente das árvores. Segundo a secretária municipal de Agricultura, Joelma Pádua, cada árvore chega a render até 60 kg de pinhão por safra, gerando um montante anual de cerca de R$ 3,5 milhões. “Esse manejo respeita o ecossistema e traz benefícios diretos para os produtores locais”, afirma.
A cidade também avança na estruturação da cadeia produtiva com ações estratégicas. Uma parceria com a Embrapa Florestas e a Avon está viabilizando a construção de uma unidade processadora de pinhão, que deve começar a operar já na próxima safra. “Isso permitirá a criação de novos produtos e a venda da semente durante todo o ano, com preços mais competitivos”, explica Joelma.
Reflorestamento e incentivo técnico
O município mantém um viveiro de araucárias enxertadas, que já distribuiu mais de 400 mudas a produtores da região. O trabalho é desenvolvido com apoio da Emater-MG, que presta assistência técnica por meio da Associação Araucária. “O incentivo ao plantio é essencial. Quanto mais árvores, mais pinhão, mais renda e mais preservação”, destaca o extensionista da Emater, Túlio César Meireles.
Para a produtora Mariana Sousa, da Associação Araucária, o pinhão é símbolo de desenvolvimento sustentável: “Temos o Festival Gastronômico do Pinhão, e com a nova unidade, vamos ampliar a produção e agregar valor com diversos produtos derivados”.
Quebra de safra e valorização do quilo
A safra deste ano foi afetada por fatores climáticos, encerrando-se mais cedo que o habitual. A quebra foi de cerca de 50%, devido aos temporais e ao calor excessivo, que prejudicaram a polinização das araucárias. Ainda assim, o quilo do pinhão dobrou de valor, saltando de R$ 3 para R$ 6, o que ajudou a equilibrar a renda dos produtores.
Por se tratar de um produto da biodiversidade, o pinhão tem garantia de preço mínimo pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), mas o valor de mercado superou a tabela oficial. Em Minas Gerais, cerca de dois mil extrativistas colhem pinhão todos os anos.
Além de Delfim Moreira, que ocupa a segunda colocação no ranking estadual, os maiores produtores de pinhão em Minas Gerais são: Itamonte (1º lugar), Alagoa, Baependi e Marmelópolis.
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