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Segunda-feira, 10 de Agosto 2026
Saúde

PrEP injetável para prevenção do HIV pode ser incorporada ao SUS este ano

Com aplicação a cada dois meses, carbotegravir aguarda avaliação da Conitec após governo avançar em negociações de preço.

Redação RCWTV
Por Redação RCWTV
PrEP injetável para prevenção do HIV pode ser incorporada ao SUS este ano
© Fernando Frazão/Agência Brasil
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O Sistema Único de Saúde (SUS) pode disponibilizar ainda neste ano a PrEP injetável para reforçar a prevenção do HIV no Brasil. A nova alternativa utiliza o medicamento carbotegravir, capaz de evitar a replicação viral por um período prolongado com aplicações bimestrais.

Na próxima semana, o Ministério da Saúde deve enviar o pedido de incorporação à Comissão Nacional de Incorporação de Novas Tecnologias no SUS (Conitec). O órgão independente analisará a relação entre custo e benefício da medicação antes de recomendá-la aos serviços públicos.

Embora a decisão final pertença ao Ministério da Saúde, o ministro Alexandre Padilha afirmou que as negociações com a farmacêutica GSK, responsável pelo carbotegravir, estão avançadas. Segundo ele, a empresa apresentou uma proposta com valores considerados adequados pelo governo brasileiro.

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Durante a 26ª Conferência Internacional de Aids, no Rio de Janeiro, Padilha ressaltou que o país busca tecnologias de proteção prolongada, mas exige preços sustentáveis. O ministro enfatizou que o orçamento público não será destinado a cobrir margens de lucro abusivas de grandes empresas.

Impasse com o lenacapavir

A questão orçamentária inviabilizou a adoção do lenacapavir, outro tratamento injetável que garante proteção por seis meses. O governo brasileiro recusou a proposta da Gilead por considerar o valor excessivo, mesmo se dispondo a pagar dez vezes mais do que o cobrado em nações parceiras.

Apesar de abrigar testes clínicos do lenacapavir, o Brasil acabou excluído do acordo de licenciamento voluntário da Gilead, que permitiu a produção de genéricos para 120 países. A exclusão gerou críticas do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (Unaids), que defende a ampliação do acesso global.

Em nota, a Gilead alegou buscar formas sustentáveis de acesso ao mercado brasileiro e revelou ter assinado um memorando com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A parceria visa explorar oportunidades de transferência de tecnologia para produção local no futuro.

Vantagens sobre a PrEP oral

Atualmente, o SUS já fornece a profilaxia pré-exposição em formato oral, exigindo a ingestão diária de comprimidos por mais de 350 mil beneficiários. No entanto, a versão injetável surge como uma solução para aprimorar a adesão contínua aos cuidados de saúde.

Pesquisadores da Fiocruz acompanharam 1,4 mil voluntários em seis cidades e constataram que 83% preferiam a injeção. Com 94% de adesão pontual às doses, nenhum dos participantes foi infectado durante o estudo, demonstrando a elevada eficiência da medicação.

Estudos clínicos conduzidos pelas desenvolvedoras ViiV Healthcare e GSK também confirmaram a eficácia do carbotegravir. Os dados de vida real apontaram uma taxa de infecção pelo HIV de apenas 0,1% ao ano entre os usuários do tratamento.

FONTE/CRÉDITOS: Tâmara Freire - Repórter da Agência Brasil

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