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No Congo, pessoas aguardam para receber comida do Programa Mundial de Alimentos da ONU, em imagem de 2012 — Foto: Jerome Delay/AP
Mais de 300 mil pessoas ficaram desabrigadas no Líbano depois da megaexplosão que aconteceu em um terminal do Porto de Beirute, em agosto de 2020. O país já enfrentava uma crise econômica e os efeitos da Covid-19.
O Programa Mundial de Alimentos da ONU, que venceu o prêmio Nobel de 2020, decidiu reforçar sua presença lá. O órgão levou 12,5 toneladas de farinha de trigo, para tentar estabilizar a oferta do ingrediente e baixar o preço do pão.
Depois de um acordo com o Ministério da Economia e Comércio, as padarias aumentaram o tamanho dos pacotes de pães em mais de 10%, sem subir o preço.

Programa Mundial de Alimentos da ONU ganha Nobel da Paz
Organizações não governamentais que receberam apoio da entidade distribuíram refeições para mais de 3.000 pessoas por dia --não só para afetados, mas também aos libaneses que foram empregados na limpeza dos escombros.
O Programa Mundial de Alimentos
O Programa Mundial de Alimentos da ONU, com sede em Roma, atua em situações como a do Líbano: dá comida às vítimas de conflitos, enchentes, secas, terremotos e também pandemias.
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Sede do Programa Mundial de Alimentos da ONU, em Roma, em imagem de 9 de outubro de 2020 — Foto: AP
O órgão tem um corpo de 17 mil funcionários. Em 2018, conseguiu arrecadar US$ 7,2 bilhões.
Formalmente, foi criado em novembro 1961. O Programa nasceu de uma iniciativa de um presidente dos Estados Unidos, Dwight Eisenhower, que entendeu que faria sentido usar o sistema da ONU para distribuir alimentos.
Hoje, a entidade diz ser a maior organização do mundo para eliminar a fome.
O diretor-executivo atual do Programa é o americano David Beasley. Ele é do Partido Republicano e já foi governador da Carolina do Sul duas vezes.
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Reprodução de vídeo mostra David Beasley, o diretor-executivo do Programa Mundial de Alimentos da ONU, em 9 de outubro, depois de receber a notícia sobre a premiação do Nobel da Paz — Foto: Reprodução/Via AP
Não há atuação direta do órgão no Brasil, mas ele tem representações em países vizinhos, como Colômbia, Bolívia e Peru, além do Equador, que também é da América do Sul.
Pandemia de Covid-19
Cerca de 135 milhões de pessoas tiveram problemas graves com falta de alimentação em 2019, de acordo com o órgão.
Em 2020, o número pode ser quase o dobro, apontam as estimativas da entidade.
Em entrevista ao "New York Times", Arif Husain, o economista chefe do órgão disse que o cenário já não era favorável no começo do ano, mas com a pandemia, o mundo está em território desconhecido. "Nós nunca vimos algo assim antes", afirmou ele.
O Programa teve que se adaptar, porque, com a Covid-19, o transporte virou um desafio maior.
O órgão tem se disposto a ajudar os governos de diferentes países a pensar em estratégias de resposta às consequências da pandemia.
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Imagem de funcionários do Programa Mundial de Alimentos da ONU no Iêmen, em setembro de 2018 — Foto: Hammadi Issa/AP
Em 68 países, o Programa ajudou a criar alternativas à merenda escolar --o órgão estabeleceu programas de transferência de dinheiro em notas, vale-alimentação e entrega de refeições.
Segundo a organização do Nobel, o programa já seria um merecedor do prêmio sem a pandemia, mas com a Covid-19 os motivos ficaram mais evidentes: a comida está menos disponível. Nesse cenário, "o programa da ONU demonstrou uma habilidade impressionante de intensificar seus esforços", afirmou o comitê.
O programa em números
- Equipe global: 17 mil pessoas;
- Operação: 5,6 mil caminhões, 20 navios e 92 aviões movimentados por dia, em média;
- Financiamento: US$ 7,2 bilhões arrecadados em 2018, totalmente financiados voluntariamente;
- Atendidos: 86,7 milhões de pessoas em 83 países;
- Merendas: 16,4 milhões de crianças as recebem, em 60 países diferentes;
- Transferência de dinheiro: US$ 1,76 bilhão;
- 52% dos que recebem assistência são mulheres ou crianças
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