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Domingo, 26 de Julho 2026
Saúde

Cesárea eleva em 45% o risco de desenvolver câncer de placenta

Pesquisa da UFRJ alerta para os perigos do excesso de partos cirúrgicos no Brasil, onde taxa chega a 55% dos nascimentos.

Redação RCWTV
Por Redação RCWTV
Cesárea eleva em 45% o risco de desenvolver câncer de placenta
© Tomaz Silva/Agência Brasil
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Mulheres submetidas a partos cirúrgicos apresentam um risco 45% maior de desenvolver câncer de placenta após uma mola gestacional, revelou um estudo inédito liderado pela Maternidade Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com a Universidade de Harvard.

A doença, tecnicamente chamada de neoplasia trofoblástica gestacional, surge quando células remanescentes de uma fertilização anômala invadem o tecido uterino. No Brasil, estimam-se cerca de 2,9 mil novos casos dessa complicação por ano.

Os pesquisadores analisaram dados de 2.904 pacientes atendidas no Brasil e nos Estados Unidos entre 2002 e 2022. Os resultados indicaram que 26,5% das mulheres com histórico de cesariana evoluíram para a neoplasia, contra 20,8% no grupo sem cirurgia prévia.

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Mecanismos e fragilidade uterina

A principal hipótese científica indica que a cicatriz cirúrgica altera a vascularização e o sistema imunológico do útero. Segundo a médica Gabriela Paiva, responsável pelo estudo, a marca da cesárea funciona como uma área fragilizada que facilita a proliferação celular invasiva.

Impacto no cenário nacional

O achado possui grande relevância para o Brasil, onde os partos cirúrgicos representam 55% dos nascimentos — índice muito superior aos 15% recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O orientador da pesquisa, Antônio Braga, reforça que a cirurgia salva vidas, mas requer uso consciente.

Projeções do estudo apontam que reduzir a taxa nacional de cesáreas para 35% poderia evitar cerca de 177 casos anuais da doença. Os médicos ressaltam que o achado não exige tratamentos mais agressivos, mas sim uma vigilância mais rigorosa no acompanhamento pós-parto.

FONTE/CRÉDITOS: Tâmara Freire - Repórter da Agência Brasil

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