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Economia

Banco do Brasil registra lucro líquido de R$ 20,68 bilhões em 2025

Apesar de um recuo no resultado em comparação com o ano anterior, a instituição projeta uma melhora em seus ganhos para 2026.

Redação RCWTV
Por Redação RCWTV
Banco do Brasil registra lucro líquido de R$ 20,68 bilhões em 2025
© Marcelo Camargo/Agência Brasil
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O Banco do Brasil reportou um lucro líquido ajustado de R$ 20,685 bilhões referente ao ano de 2025, o que representa uma diminuição de 45,4% em relação ao exercício anterior, conforme divulgado pela instituição financeira nesta quarta-feira (11). O desempenho foi impactado por novas normas contábeis e um aumento nos índices de inadimplência.

No período de outubro a dezembro de 2025, o banco obteve um lucro de R$ 5,742 bilhões, marcando um declínio de 47,2% na comparação com o mesmo trimestre de 2024. Contudo, em relação ao terceiro trimestre do mesmo ano, houve uma expansão de 51,7% nos lucros.

Em comunicado oficial, o Banco do Brasil ressaltou que a geração de suas receitas tem apresentado crescimento, mesmo diante das pressões causadas pela inadimplência. A instituição destacou que as receitas financeiras provenientes de operações de crédito para pessoas físicas e do Programa Crédito do Trabalhador, que centraliza a contratação de empréstimos consignados para empregados de empresas privadas, têm contribuído positivamente para os resultados.

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"Realizamos desembolsos na ordem de R$ 13 bilhões no crédito ao trabalhador, o que demonstra nossa expectativa de crescimento em linhas de crédito com melhor retorno ajustado ao risco", afirmou a presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros.

Uma resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN), que entrou em vigor em janeiro de 2025, modificou a forma como as instituições financeiras realizam sua contabilidade, afetando diretamente o resultado financeiro. Essas novas regras, aprovadas em 2021, passaram a valer no ano passado.

A norma altera o modelo de provisões, que são as reservas financeiras destinadas a cobrir potenciais calotes, para o conceito de perda esperada, baseado em estimativas. Essa mudança impactou o reconhecimento de certas despesas e receitas, resultando na não contabilização de R$ 1 bilhão em receitas de crédito pelo banco.

Inadimplência

O índice de atrasos superiores a 90 dias subiu de 3,16% em dezembro de 2024 para 5,17% ao final de 2025. Esse aumento foi impulsionado principalmente pelos setores de agronegócio, onde o banco detém liderança em concessão de crédito, e pela modalidade de cartões de crédito.

A inadimplência na carteira de crédito do agronegócio encerrou o último ano em 6,09%, um acréscimo de 1,25 ponto percentual no último trimestre de 2025.

Para a carteira de pessoas físicas, a inadimplência fechou o período em 6,56%, com uma elevação de 0,55 ponto percentual.

Crescimento do crédito

Apesar do cenário de juros elevados, o Banco do Brasil expandiu suas operações de crédito em 2025, com destaque para os empréstimos a pessoas físicas. A carteira de crédito ampliada atingiu R$ 1,296 trilhão ao final do ano passado, registrando uma alta de 1,4% no último trimestre e de 2,5% no acumulado anual.

A distribuição por segmentos de crédito apresentou os seguintes resultados:

  • Pessoa Física: R$ 356,96 bilhões em dezembro, com crescimento de 1,8% no trimestre e 7,6% no ano. A nova modalidade de crédito consignado para trabalhadores da iniciativa privada (CLT) se destacou, com R$ 14,3 bilhões concedidos.
  • Pessoa Jurídica: R$ 455,15 bilhões, com expansão de 0,5% no trimestre e 0,6% no ano. A carteira para grandes corporações totalizou R$ 260,4 bilhões, um aumento de 4,3% em 12 meses, enquanto a carteira para micro, pequenas e médias empresas somou R$ 115,2 bilhões, com uma retração de 7,9% no ano.
  • Agronegócios: R$ 406,13 bilhões, apresentando alta de 1,8% no trimestre e 2,1% no ano. Nos seis primeiros meses do Plano Safra 2025/2026, o banco desembolsou R$ 103,9 bilhões em crédito para o setor, além de R$ 12,3 bilhões em linhas voltadas à cadeia produtiva do agro.
  • Carteira de Crédito Sustentável: R$ 415,1 bilhões, destinada a financiar iniciativas com impacto social e ambiental positivo, com um crescimento de 7,3% em 12 meses. Esta carteira representa 32% do volume total de crédito concedido pelo banco.

Receitas e despesas

As receitas provenientes da prestação de serviços totalizaram R$ 34,813 bilhões em 2025, uma queda de 1,9% em relação ao ano anterior.

O Banco do Brasil informou que essa redução foi parcialmente compensada pelo aumento nas receitas de administração de fundos (+13,5%), taxas de administração de consórcios (+19,3%) e rendas do mercado de capitais (+7,9%).

As despesas administrativas atingiram R$ 34,813 bilhões em 2025, representando um aumento de 5,1% em comparação com 2024. O banco atribuiu essa elevação ao reajuste salarial e aos investimentos realizados em tecnologia e cibersegurança.

Projeções para 2026

O Banco do Brasil também divulgou suas estimativas para 2026. Após a queda no lucro registrada em 2025, a instituição financeira espera uma recuperação em seus resultados neste ano.

As projeções incluem:

  • Lucro líquido ajustado: entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões;
  • Expansão da carteira de crédito: de 0,5% a 4,5%, com estimativas de alta de 6% a 10% para pessoas físicas; queda de 2% a alta de 2% para o agronegócio; e recuo de 3% a crescimento de 1% para empresas;
  • Receitas de prestação de serviços: crescimento estimado entre 2% e 6%;
  • Despesas administrativas: aumento previsto de 5% a 9%;
  • Custo do crédito (perdas esperadas com inadimplência e outros riscos): entre R$ 53 bilhões e R$ 58 bilhões;

“Conseguimos nos adaptar ao cenário com transparência e muita dedicação de nossos funcionários para que tenhamos um 2026 com retomada de patamares de rentabilidade do tamanho do BB. Nosso guidance mostra isso e nossos resultados indicam que estamos dando os sinais da inflexão, com lucro de R$ 5,7 bilhões, um crescimento de 51,7% na comparação com o trimestre anterior", declarou Tarciana Medeiros.

FONTE/CRÉDITOS: Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil

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