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Política

Alckmin exige investigação aprofundada sobre o escândalo do Banco Master

Vice-presidente e ministro participou da edição inaugural do programa Na Mesa com Datena, na TV Brasil

Redação RCWTV
Por Redação RCWTV
Alckmin exige investigação aprofundada sobre o escândalo do Banco Master
© Bruno Peres/Agência Brasil
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O vice-presidente e titular da pasta do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, manifestou-se a favor de uma investigação minuciosa e da devida penalidade para todos os implicados no caso do Banco Master, que, conforme o Banco Central (BC), resultou em perdas financeiras bilionárias para investidores e instituições dos setores público e privado.

Essa declaração foi proferida durante entrevista ao jornalista José Luiz Datena, na noite da última terça-feira (10), marcando a estreia do programa Na Mesa com Datena, transmitido pela TV Brasil.

Alckmin ressaltou que a fraude bancária em questão não é recente, mas sim um problema com raízes antigas. Ele enfatizou que se tornou evidente a participação de indivíduos ligados ao Banco Central, a instituição encarregada da fiscalização e monitoramento do sistema financeiro. O vice-presidente defendeu veementemente que se proceda a uma investigação e punição rigorosas.

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O vice-presidente também abordou a postura do governo e do presidente Lula em relação ao ocorrido, garantindo a completa autonomia investigativa da Polícia Federal.

Ele reiterou a clareza do presidente Lula ao afirmar que nenhuma investigação será cerceada pelo governo. Alckmin destacou a liberdade de atuação da Polícia Federal, do Ministério Público e do Poder Judiciário para apurar os fatos e buscar justiça. Além disso, sublinhou a necessidade de responsabilizar os culpados e de aprimorar os mecanismos de controle, mencionando que a situação poderia ter sido identificada anteriormente.

Além da apuração e sanção dos envolvidos, Alckmin advogou pelo robustecimento das instituições, como o Banco Central e demais organismos de fiscalização. Ele descreveu isso como um processo contínuo de aperfeiçoamento institucional, essencial para a transparência e clareza inerentes a uma democracia.

Na semana anterior, o financista Daniel Vorcaro foi novamente detido pela Polícia Federal, no âmbito da terceira etapa da Operação Compliance Zero. No ano anterior, o empresário já havia sido alvo de um mandado de prisão da mesma operação, mas havia obtido liberdade provisória com o uso de tornozeleira eletrônica.

A recente detenção baseou-se em comunicações descobertas no aparelho celular do banqueiro, que havia sido confiscado durante a fase inicial da operação. Nessas mensagens, Vorcaro proferia ameaças a jornalistas e a indivíduos que, supostamente, teriam se oposto aos seus interesses.

A Operação Compliance Zero investiga esquemas fraudulentos de proporções bilionárias no Banco Master, os quais resultaram em um prejuízo estimado em até R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos, destinado à compensação de investidores.

Desligamento do MDIC

Durante a conversa com Datena, Alckmin confirmou sua saída do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio em 2 de abril. Essa medida é uma imposição da lei eleitoral, necessária para que ele possa concorrer a cargos públicos nas eleições de outubro.

A legislação exige que a desincompatibilização de funções executivas ocorra até seis meses antes do pleito, com prazo final em 4 de abril. O vice-presidente optou por não adiantar detalhes sobre seu futuro político, permanecendo no cargo de vice-presidente enquanto as articulações eleitorais são definidas.

Ele esclareceu que a função de vice-presidente não exige afastamento, ao contrário dos cargos ministeriais. Alckmin assegurou que, em estrito cumprimento da lei, se desvinculará do ministério em 2 de abril, caso decida disputar qualquer cargo.

Essa informação já havia sido comunicada previamente a jornalistas na semana anterior, durante uma coletiva de imprensa no MDIC, ocasião em que foram divulgados os resultados da balança comercial.

Conflito no Oriente Médio e seus impactos

Alckmin também abordou as repercussões econômicas do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Ele prognosticou que o Brasil não sofrerá um impacto tão severo, dada sua maior dependência de relações comerciais com a China, União Europeia, Argentina e os próprios EUA, regiões distantes do foco do confronto.

O vice-presidente observou que, embora todas as nações sejam afetadas, o Brasil tende a ser menos prejudicado, pois seus principais parceiros comerciais — China, União Europeia, Argentina e Estados Unidos — estão geograficamente distantes do conflito. Contudo, reconheceu que o aumento do preço do petróleo já impacta os valores da gasolina e do diesel.

Cenário eleitoral e perspectiva econômica

Em relação às eleições, Alckmin pontuou que a polarização é uma característica global nos cenários eleitorais. Apesar disso, ele expressou otimismo quanto à percepção da sociedade sobre a atual conjuntura econômica favorável do país.

O vice-presidente reiterou que as eleições são processos de comparação e que, embora nenhuma seja simples, ele vislumbra uma tendência de melhoria.

Alckmin complementou sua análise destacando que a taxa de desemprego atingiu o menor patamar da série histórica, e a inflação se encontra em 4,2%, também a mais baixa. Esse cenário, segundo ele, se traduz em um aumento da renda da população e um ganho real para o salário mínimo, lembrando que uma parcela significativa de aposentados e pensionistas no Brasil depende desse valor.

Avanços na segurança pública com a PEC

Ao responder a Datena sobre os desafios enfrentados no combate à criminalidade no Brasil, Alckmin salientou a recente aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Segurança Pública pela Câmara dos Deputados na semana anterior, que agora segue para avaliação no Senado.

A proposta, inicialmente apresentada pelo governo, visa instituir o Sistema Único de Segurança Pública, buscando aprimorar a integração entre as diversas forças de segurança em território nacional.

Na visão do vice-presidente, um dos pontos cruciais da proposta reside no reforço das polícias municipais.

Ele argumentou que a PEC amplia o escopo da atuação local, complementando as forças de segurança existentes sem substituí-las. Alckmin enfatizou que a concessão de maior poder à polícia municipal será um diferencial significativo, dada a sua proximidade com a comunidade.

O texto aprovado pelos deputados também confere explicitamente à Polícia Federal a responsabilidade de combater crimes perpetrados por organizações e milícias privadas que possuam alcance interestadual ou internacional.

A Polícia Rodoviária Federal, por sua vez, mantém sua denominação, mas terá suas atribuições expandidas para incluir a fiscalização de ferrovias e hidrovias federais.

Alckmin, por fim, defendeu o endurecimento das penas para o crime organizado e a imperiosa necessidade de prender as lideranças criminosas.

FONTE/CRÉDITOS: Pedro Rafael Vilela - Repórter da Agência Brasil

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