O projeto “A Peça da Semana”, do Museu Mariano Procópio apresenta, nesta segunda-feira, 23, um álbum de autógrafos de Alfredo Ferreira Lage, fundador do equipamento cultural. O item, que está sob a guarda do Arquivo Histórico, faz parte da Coleção Família Ferreira Lage e revela um costume que se popularizou, no século XIX, nas casas burguesas frequentadas por músicos, literatos e artistas plásticos. Imagens do álbum podem ser conferidas no Instagram @museumarianoprocopio e no Facebook museu.marianoprocopio.
A historiadora da Fundação Museu Mariano Procópio (Mapro), Priscila da Costa Pinheiro, explica que, para a maioria das pessoas, a palavra “autógrafo” está associada à assinatura de uma personalidade. “Entretanto, a definição do termo vai além, já que qualquer item escrito por alguém é um autógrafo, que pode ou não ser assinado.” Segundo ela, a coleção de autógrafos de Alfredo Ferreira Lage deu origem ao Arquivo Histórico do museu, criado em 1939. “Alfredo adquiriu cartas e documentos para sua coleção através de leilões e doações. Além disso, coletou desenhos, frases musicais e literárias em um álbum”, informa Priscila.
Ela observa que a origem dos álbuns de autógrafos está, provavelmente, relacionada aos cadernos de desenhos e anotações utilizados por estudantes e viajantes dos séculos XVI e XVII. “No século XIX, os álbuns se popularizaram na Europa e ganharam destaque. Neles, os proprietários reuniam pensamentos, mensagens e dedicatórias manuscritas por personalidades diversas.”
O álbum de Alfredo Lage, apresentado na websérie “A Peça da Semana”, possui encadernação de capa dura e ornamentada. Reúne autógrafos de indivíduos como Arthur Napoleão, José Vianna da Motta, Raphael Bordallo Pinheiro, Coelho Netto e Souza Pinto, coletados entre os anos de 1899 e 1905. A historiadora destaca ainda que “os personagens deixaram seu registro de acordo com sua arte: o músico apresentou trecho ou frase musical; o pintor, um desenho; o caricaturista, uma caricatura; o escritor, um poema. Todos os autógrafos do álbum são assinados.”
