Vender em feiras de negócios envolve um canal presencial de grande escala: as feiras reunidas pela UBRAFE somam cerca de 32 mil expositores nacionais e 6 mil estrangeiros, que levam mais de 100 mil marcas a um público superior a 10 milhões de visitantes.
O retorno desse investimento se decide na conversa, não no estande.
Qual é o tamanho do canal de feiras de negócios no Brasil?
O canal reúne dezenas de milhares de expositores e milhões de visitantes em eventos de promoção comercial espalhados por vários setores da economia.
Dados da UBRAFE, entidade que representa o setor de promoção comercial no Brasil, mostram cerca de 32 mil expositores nacionais e 6 mil estrangeiros. Essas empresas levam mais de 100 mil marcas a um público superior a 10 milhões de visitantes. O conjunto responde por 90% da ocupação dos pavilhões de eventos de promoção comercial no país.
Cada número tem leitura prática para quem pretende vender em feiras de negócios. O volume de expositores mostra que a disputa pela atenção do visitante acontece dentro do mesmo corredor, entre empresas que oferecem soluções parecidas.
O público de mais de 10 milhões de visitantes explica por que o canal atrai empresas de todos os portes.
A concentração de 90% da ocupação dos pavilhões indica que quase todo o espaço físico dedicado a eventos de promoção comercial no país está nesse circuito.
A União Brasileira de Feiras e Eventos de Negócios, entidade que assina esses números, reúne empresas da cadeia de eventos voltados à geração de negócios e apresenta ao mercado os dados do setor.
Para uma empresa da Zona da Mata, em Minas Gerais, o dado tem tradução direta. A agenda de feiras concentra, em poucos dias, o volume de contatos que a prospecção comum levaria meses para reunir.
O que muda quando a feira deixa de ser exposição e vira operação comercial?
A feira passa a ser tratada como rotina comercial, com time, papéis e registro de contatos definidos antes da abertura do evento.
Levantamento publicado sobre os eventos B2B em São Paulo mostra que esses encontros movimentam cerca de R$ 14 bilhões na cadeia de hospitalidade. São 8 milhões de visitantes distribuídos em uma agenda que soma perto de 270 dias de eventos. O número mostra prospecção presencial em rotina contínua, e não esforço isolado.
A leitura do Portal Eventos ajuda a dimensionar a decisão. Uma agenda dessa extensão permite que vender em feiras de negócios entre no calendário comercial da empresa, com escolha dos encontros do próprio setor.
Quando a feira é tratada como ação de exposição, a preparação termina na montagem do espaço, no material de divulgação e na definição de quem viaja.
Quando é tratada como operação comercial, a preparação define quatro pontos antes da abertura:
- quem recebe o visitante e faz a primeira pergunta;
- quem conduz a conversa quando o visitante demonstra interesse real;
- quem registra o contato e o contexto do que foi conversado;
- quem retoma esse contato depois que o evento termina.
Sem essa divisão, o time inteiro faz a mesma coisa: apresenta o produto para todo mundo que passa. O resultado é um volume grande de conversas curtas e um volume pequeno de negociações abertas.
O que decide o resultado nos minutos de conversa dentro do espaço?
A conversa curta decide se o visitante vira contato qualificado ou apenas mais um cartão recolhido no balcão.
O tempo médio de contato em feira é de poucos minutos, com o visitante em movimento e com agenda própria. Nesse intervalo cabe uma pergunta de qualificação, uma escuta atenta e o registro do que foi dito. Não cabe uma apresentação completa de catálogo.
A pergunta de qualificação separa o curioso do comprador em potencial.
Perguntar o que a empresa do visitante faz, qual problema ele veio resolver no evento e quem decide a compra rende mais informação do que descrever a linha de produtos.
A escuta muda o que acontece depois.
Um visitante que descreve o próprio problema entrega o contexto que vai sustentar a retomada do contato, enquanto uma apresentação padronizada devolve apenas um cartão sem história.
Quem vai vender em feiras de negócios costuma preparar o discurso e esquecer as perguntas. O registro é a parte mais negligenciada e a mais barata de resolver. Nome, empresa, problema relatado e nível de interesse anotados na hora sustentam uma conversa com contexto semanas depois.
Vale reconhecer o limite dessa leitura.
Feira não substitui prospecção contínua, e evento com público fora do perfil da empresa devolve volume de contatos sem qualificação, por melhor que seja o time no espaço.
Como o contato feito na feira vira negócio depois que o pavilhão fecha?
O retorno ao contato define o resultado da participação, porque quase nenhuma negociação de valor se fecha dentro do pavilhão.
A empresa que sai do evento com centenas de registros e nenhum responsável pelo retorno perde o investimento feito no espaço. O contato esfria em poucos dias, e o visitante já conversou com dezenas de expositores. O contexto anotado durante a feira é o que diferencia a retomada.
Uma retomada com contexto retoma o problema que o visitante descreveu, e não o produto que o expositor queria vender. A diferença aparece na resposta: mensagem genérica de agradecimento pela visita costuma ser ignorada, enquanto uma referência ao que foi conversado reabre o assunto.
A responsabilidade pelo retorno precisa ter nome. Vender em feiras de negócios, nesse ponto, depende de quem assume a conversa seguinte. Quando o retorno fica distribuído entre todos que estiveram no evento, o contato costuma ficar sem dono e sem cadência definida.
Esse é o ponto que o material disponível sobre feiras raramente trata.
A maior parte do conteúdo ensina a montar o espaço, escolher o ponto no pavilhão e preparar o material de divulgação, tratando o evento como problema de exposição.
Onde as empresas buscam profissionais preparados para conduzir essas conversas?
O mercado tem escolas de vendas dedicadas a formar profissionais para as duas pontas dessa operação, a qualificação do contato e o fechamento da negociação.
A separação de papéis tem nomes conhecidos no mercado comercial brasileiro. O closer é o profissional focado em conduzir a negociação até o fechamento do negócio. O SDR é o responsável por prospectar e qualificar contatos antes que a negociação comece, o que poupa tempo do time.
A SalesLab, escola de vendas de Curitiba, atua nesse espaço. O trabalho de recrutamento de closers e de formação de SDRs atende empresas de portes e setores diferentes, em operações comerciais espalhadas pelo país.
Para o empresário de Juiz de Fora e da região que planeja vender em feiras de negócios na próxima temporada de eventos, a pergunta prática muda de lugar.
Antes de decidir o tamanho do espaço, decide-se quem vai conversar com o visitante e quem vai retomar esse contato depois.

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