O mercado global de lubrificantes deve apresentar uma trajetória de crescimento nos próximos anos. De acordo com a consultoria Fortune Business Insights, a estimativa é que o setor movimente cerca de US$ 182,53 bilhões em 2026, com projeção de alcançar US$ 213,93 bilhões até 2034, refletindo a expansão gradual da demanda em diferentes setores industriais e automotivos.
Segundo a pesquisa, a região da Ásia-Pacífico concentrou a maior parcela do mercado global em 2025, com participação de 36,8%, impulsionada pelo ritmo de industrialização e pela elevada demanda automotiva em países como China, Índia e Japão. Ainda assim, o levantamento aponta que outros países vêm se destacando no setor. Entre eles, o Brasil, que figura entre os principais mercados da América Latina.
Ao observar o cenário latino-americano, o estudo afirma que, juntos, Brasil e México concentram a maior parte da demanda por lubrificantes. O desempenho é associado a fatores como acordos comerciais no setor automotivo, crescimento da produção industrial e aumento da frota de veículos. A consultoria estima que a América Latina represente o quarto maior mercado do setor, com valor próximo de US$ 16,01 bilhões em 2025.
Para a especialista em química e sócia da Biovera, Renata Ferreira, o crescimento do mercado brasileiro está ligado a três fatores, sendo o volume de refino o primeiro deles. “O grande volume é sustentado por uma frota gigante de transporte, com predominância do modal rodoviário, além da elevada mecanização do agronegócio e da produção petroquímica local”, elenca.
Dados do painel do mercado brasileiro de lubrificantes da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) reforçam essa dimensão. Somente em janeiro de 2026, foram comercializados cerca de 153 mil metros cúbicos de lubrificantes no país, o equivalente a, aproximadamente, 153 milhões de litros.
O segundo fator apontado pela especialista é a qualidade do refino, que permite a fabricação local de lubrificantes premium e reduz a necessidade de importação de bases. “Ao mesmo tempo, possibilita atender a normas internacionais como API, ISO e ASTM, o que é fundamental para motores cada vez mais modernos”, afirma.
Ela também destaca a inovação como terceiro fator a movimentar o mercado brasileiro de lubrificantes. “A inovação obtida em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) precisa realizar adaptações dos lubrificantes para nosso mercado de motores e máquinas ‘tropicalizados’, inclusive com a criação de biolubrificantes e lubrificantes sintéticos com características específicas. Portanto, o Brasil passa a ser não só o maior mercado Sul-Americano, mas também o mais tecnicamente estruturado”, conclui.
Avanços laboratoriais impulsionam desenvolvimento de lubrificantes
O fortalecimento da infraestrutura laboratorial também tem contribuído para o crescimento do mercado de lubrificantes no país, conforme Renata. Segundo ela, empresas e centros de pesquisa têm investido em tecnologias cada vez mais avançadas para apoiar o desenvolvimento de produtos nos últimos anos.
Um exemplo são os equipamentos de alto desempenho utilizados em processos de homogeneização e preparação de amostras, como o dispersor ultra turrax, que permitem realizar emulsões, suspensões e misturas complexas utilizadas na formulação de lubrificantes modernos.
“A capacidade analítica e a segurança dos testes para atendimento a normas globais é um diferencial obtido com novas tecnologias, principalmente devido à atuação ANP, definindo especificações, conformidade internacional e monitoramento da produção”, acrescenta.
Renata afirma, ainda, que a evolução da infraestrutura técnica ampliou o nível de detalhamento das análises realizadas no setor. Avaliações que antes se concentravam em parâmetros básicos, como viscosidade e densidade, passaram a incluir exames mais aprofundados de composição química, pureza e estabilidade dos óleos.
Esse processo depende de instrumentos de alta precisão utilizados nos ensaios físico-químicos. Durante o desenvolvimento e o controle de qualidade dos produtos, são usados equipamentos como a bomba calorimétrica, que determina o poder calorífico de uma amostra, ou seja, quanto de energia ela contém.
“Toda essa evolução faz com que o Brasil seja, hoje, o segundo país no mundo em certificações ISO 21469, que define requisitos de higiene para a formulação, fabricação e uso de lubrificantes que podem ter contato incidental com alimentos”, completa.
Perspectivas para o mercado de lubrificantes
As projeções para os próximos anos mostram que o setor deve continuar evoluindo com base em novas demandas industriais e avanços tecnológicos. Um levantamento da Energis 8 Brasil aponta que uma das principais tendências para 2026 é o crescimento do uso de lubrificantes sintéticos, impulsionado por motores mais eficientes e normas ambientais mais rígidas.
Outra tendência observada é a ampliação da demanda por lubrificantes com alta estabilidade térmica para os processos industriais, assim como a expansão do uso de óleos brancos de grau farmacêutico, conhecidos como USP.
No campo tecnológico, o levantamento também destaca o avanço de sistemas de monitoramento digital e de análises laboratoriais que apoiam a manutenção preditiva. Além disso, reforça que uma perspectiva para o próximo ano é a ênfase em formulações sustentáveis, desenvolvidas para ampliar a vida útil dos produtos e reduzir a geração de resíduos nos processos industriais.
A sustentabilidade também aparece entre as tendências globais identificadas no estudo da Fortune Business Insights. De acordo com a consultoria, a indústria tem ampliado investimentos em lubrificantes produzidos a partir de matérias-primas biodegradáveis, muitas vezes derivadas de óleos vegetais, como alternativa às bases tradicionais de origem mineral.
Esse movimento é impulsionado tanto pelo avanço de regulamentações ambientais quanto pela demanda de setores que priorizam produtos com menor toxicidade e maior biodegradabilidade. Segmentos como processamento de alimentos, saúde e bebidas têm ampliado o uso dessas formulações, ao mesmo tempo em que áreas como agricultura, silvicultura e transporte marítimo também demonstram maior sensibilidade ao impacto ambiental dos lubrificantes utilizados.
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