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Sexta-feira, 07 de Agosto 2026
Ciência e Tecnologia

Universidades públicas paulistas debatem métricas de impacto social e uso da inteligência artificial

3º Encontro da Comunidade Métricas reuniu os reitores de USP, Unicamp, Unesp, Unifesp, UFSCar e UFABC para discutir os principais desafios a serem enfrentados pelas instituições no período 2026-2030

Redação RCWTV
Por Redação RCWTV
Universidades públicas paulistas debatem métricas de impacto social e uso da inteligência artificial
Rede colaborativa se reuniu em 29 de julho na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (foto: Denise Guimarães/Esalq-USP)
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Agência FAPESP * – Cerca de 80 pesquisadores e profissionais da área de dados reuniram-se com os seis reitores das universidades públicas paulistas para debater os principais desafios a serem enfrentados pelas instituições de ensino superior no período 2026-2030 – notadamente o uso de métricas e indicadores na avaliação do impacto das universidades para a sociedade e de inteligência artificial nas atividades de ensino, pesquisa e extensão.

O grupo integra a Comunidade Métricas, dedicada a aprimorar a gestão estratégica, a governança de dados e a avaliação de impacto das universidades públicas. O terceiro encontro dessa rede colaborativa ocorreu no dia 29 de julho, na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), em Piracicaba.

“É preciso entender as necessidades da sociedade e internalizá-las na vida acadêmica”, recomendou Vahan Agopyan, secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo, que, por meio de vídeo, abriu o debate entre os reitores e a plateia. Vahan lembrou que o diálogo com a sociedade mobiliza universidades públicas na Europa e nos Estados Unidos – “o contribuinte quer saber como o dinheiro está sendo usado” – e que, também no Brasil, é preciso mostrar que as instituições de ensino superior e de pesquisa “são parte da solução”.

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Vahan alertou para a necessidade de conferir dinamismo à gestão acadêmica – “submeter decisões administrativas a colegiados formados por mais de cem pessoas retarda a resposta aos anseios da sociedade” – e sublinhou a urgência de as universidades adequarem as atividades de ensino, pesquisa e extensão ao uso da inteligência artificial. “Vivemos uma nova etapa de mudança e é preciso agilidade nas decisões”, afirmou o secretário.

Indicadores de desempenho e de impacto

Todas as universidades públicas do Estado de São Paulo já se mobilizam para elaborar indicadores de impacto para a sociedade no âmbito de escritórios de gestão de dados. A USP está implantando o Escritório Ciência e Sociedade, ligado ao gabinete do reitor, para dialogar com os diferentes segmentos sociais e estabelecer uma forma permanente de escuta da sociedade. “A transparência e o diálogo com a sociedade são fundamentais para a nossa missão pública. E essa missão ganha mais relevância agora, numa era em que a informação e a desinformação ganham uma velocidade sem precedentes”, afirmou Aluísio Segurado, reitor da instituição.

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) investe em políticas de inclusão, inovação e transferência de conhecimento e no fortalecimento da comunicação com a sociedade. Segundo o reitor em exercício, Fernando Coelho, está previsto ampliar, até 2030, o número de vagas em diversos cursos, inclusive no período noturno, fortalecer ações que garantam a permanência de alunos, aprimorar a infraestrutura física e encerrar cursos que não atendam a demandas da sociedade.

Na Universidade Estadual Paulista (Unesp), a capilaridade e a força do alumni oferecem indicadores estratégicos do impacto da universidade, como, por exemplo, a contribuição dos alunos para o desenvolvimento regional, disse a reitora, Maysa Furlan . “Alguns levantamentos dão conta, por exemplo, de que 66% dos profissionais de saúde no interior do Estado são egressos da Unesp.”

A Universidade Federal do ABC (UFABC) quer monitorar a trajetória formativa de seus alunos, cotejar os valores investidos em pesquisa com a transferência de conhecimento e depósito de patentes, por exemplo, e seguir investindo em projetos de pesquisa, como o Centro de Estudos da Favela (CEFAVELA) – um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) apoiado pela FAPESP. O CEFAVELA promove “pesquisa, formação, transferência de tecnologia e difusão de conhecimento sobre as favelas e atua em articulação com diversas instituições, movimentos e organizações comprometidos com a agenda territorial das favelas”, contou a reitora da UFABC, Paula Homem de Mello.

O Núcleo de Apoio à Indissociabilidade entre Inovação, Pesquisa, Ensino e Extensão (NAIIPEE) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) está apoiando a implantação de uma plataforma de interação com egressos e de uma iniciativa voltada à elaboração de indicadores confiáveis e métricas de desempenho acadêmico e impacto social, contou a reitora, Ana Beatriz de Oliveira. O sistema, anonimizado, utiliza informações da Relação Anual de Informações Sociais (banco de dados do Ministério do Trabalho e Emprego que mapeia onde o egresso está trabalhando), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da base de dados Scopus (da editora Elsevier, que mapeia a produção científica internacional), entre outros, para mapear a trajetória de egressos.

A formação da comunidade

Boa parte das iniciativas elencadas pelos reitores foi incentivada pelo projeto Indicadores centrados na sociedade para o desempenho de universidades públicas, coordenado por Jacques Marcovitch, ex-reitor da USP, que, apoiado pela FAPESP, tem estimulado, desde 2017, a constituição de escritórios de gestão de dados e a boa governança nas universidades paulistas. O Projeto Métricas – como ficou conhecido – iniciou com as três universidades estaduais e, desde 2014, contou com a adesão também das federais no desenvolvimento de indicadores baseados em métricas de insumos, processos, resultados e de impacto social, científico e ambiental, com foco na qualidade.

Por meio de seminários, workshops e cursos, o Projeto Métricas formou uma comunidade de 688 integrantes, boa parte dela atualmente envolvida com a gestão de dados e de indicadores nas seis universidades públicas paulistas, em instituições de outros Estados e também de Angola, Moçambique e Portugal.

O 3º Encontro da Comunidade Métricas, além da reunião com reitores, foi um espaço para a troca de experiências e de informações entre as várias instituições. Também participaram do encontro Raiane Assumpção, reitora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Antonio Gomes de Souza Filho, diretor de Avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Helena Lage, representando a diretoria científica da FAPESP, e Thais Maria Ferreira de Souza Vieira, diretora da Esalq-USP, anfitriã do evento.

Thais Vieira foi aluna do 3º Curso Métricas de Desempenho e Comparações Internacionais. “Quando assumi a direção, em 2023, trouxe o aprendizado sobre indicadores para a gestão da Esalq, para o Plano Estratégico e para o projeto acadêmico. Os indicadores nos ajudam a conhecer, definir cenários, fazer escolhas e a tomar decisões”, contou.

Uso responsável da inteligência artificial

O uso responsável de indicadores de desempenho nas universidades tem sido impactado pelo avanço da inteligência artificial no ensino, pesquisa e extensão. Atualmente, todas as universidades públicas de São Paulo já têm iniciativas para a regulamentação do uso de IA. Na USP, a inserção da IA para qualificar atividades de ensino, pesquisa e extensão segue um processo de transformação digital implementado há algum tempo, afirmou Segurado. “A articulação dessa transformação digital exige integrar todas as áreas para superar os desafios de interoperabilidade.” A universidade criou, em março, o Escritório de Transformação Digital e Inteligência Artificial (ETDIA) para coordenar o uso responsável da IA e de tecnologias digitais na universidade.

A Unesp também tem a IA como agenda prioritária. “Estamos traçando estratégias de ação que envolvem regulamentação, ética, educação e capacitação para aplicar a IA ao conhecimento institucional”, disse Furlan. “A universidade tem uma grande quantidade de conteúdo aberto e a aplicação da IA ao conhecimento deve se basear em boas práticas e ter limites”, completou.

Na Unicamp, a IA representa “desafios e riscos” que precisam ser gerenciados, de acordo com Coelho. “Fizemos um diagnóstico com mecanismos para utilizar essa ferramenta inovadora sem comprometer dados.” A universidade criou o Centro de Referência em Tecnologias de Inteligência Artificial (Crefia), vinculado à Diretoria Executiva de Tecnologia da Informação e Comunicação (Detic), para apoiar a articulação institucional, a governança e a adoção responsável de tecnologias de IA no ambiente universitário.

O uso responsável da IA também mobiliza as universidades federais. A Unifesp reunirá a comunidade acadêmica num congresso sobre o tema neste mês, anunciou Assumpção. “A IA é uma ferramenta importante, que pode nos ajudar na produção científica e na gestão. Mas, no ensino e aprendizagem, é preciso superar o conflito geracional: alunos do século 21 orientados por professores formados no século 20.” Os desafios da IA para a infraestrutura e governança também estão em pauta na UFSCar. “Entendemos que essa é uma ferramenta que exige formação voltada ao pensamento crítico e à ética”, disse a reitora. A UFABC deverá criar um escritório voltado para acompanhar o uso de IA na universidade. “Já constituímos um grupo para formular avaliação no ensino e na pesquisa, com uma perspectiva ética. A IA também será objeto de investigação e ferramenta de apoio à infraestrutura e à tomada de decisões”, disse Melo.

* Com informações de Claudia Izique, da Assessoria de Comunicação da Comunidade Métricas
 

FONTE/CRÉDITOS: Agência FAPESP

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