A presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Francilene Garcia, criticou a ausência de debates sobre a ciência nas eleições gerais deste ano. Em entrevista à Agência Brasil, a pesquisadora alertou que escândalos políticos e disputas pessoais estão esvaziando discussões vitais para o futuro do país, deixando de lado o planejamento estratégico nacional.
De acordo com a cientista, que também é professora da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), o eleitorado enfrenta uma falsa dicotomia. Ela defende que a integridade das instituições e o projeto de desenvolvimento do Brasil devem caminhar juntos, e não serem tratados de forma excludente nas campanhas eleitorais.
Desafios estratégicos fora da pauta
Temas urgentes como a transição energética, o envelhecimento populacional e o processamento de minerais críticos seguem ignorados. Francilene destaca que o Brasil precisa se preparar para cenários adversos, incluindo novas crises sanitárias e eventos climáticos extremos, que já impactam diretamente a agroindústria e as cidades brasileiras.
Para tentar reverter esse cenário, a SBPC lançou o Observatório das Eleições, apresentando mais de cem propostas de políticas públicas. No entanto, a adesão das candidaturas majoritárias tem sido baixa. Nenhum candidato a governador e apenas um postulante ao Executivo federal se comprometeram com as metas da entidade até o momento.
A preocupação se estende à soberania nacional em médio prazo. A SBPC alerta para o risco de o Brasil retroceder a uma condição puramente agroexportadora caso não invista em inteligência artificial e na exploração sustentável de terras raras. O financiamento contínuo à pesquisa científica é apontado como a única saída viável.

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