O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal, acusou nesta terça-feira (15) o ministro André Mendonça de usar o caso Master para interferir na eleição presidencial de outubro. A declaração ocorreu durante uma sessão plenária extraordinária convocada pelo presidente da Corte, Edson Fachin.
“Com todas as vênias e toda sinceridade presidente, é evidente e até as pedras sabem que há um inequívoco viés político-eleitoral na forma como o tema foi conduzido”, afirmou Mendes. “Isso não se faz, pessoas decentes não fazem isso”, acrescentou o decano.
Em resposta imediata, Mendonça chamou o colega de “leviano” ao levantar a suspeita. “Não aponte o dedo para mim”, retrucou o magistrado, gerando um momento de forte tensão institucional transmitido ao vivo pela TV Justiça.
O julgamento histórico analisa se a Corte abre uma investigação criminal contra o ministro Alexandre de Moraes. O caso baseia-se em um relatório da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que liga Moraes ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Mendes argumentou que a escolha da data para suspender o sigilo do documento teve o objetivo deliberado de coincidir com manifestações populares. Ao final, o decano pediu o adiamento da análise para o próximo dia 23 de setembro.
Entenda o caso
O relatório veio à tona em 1º de setembro, quando André Mendonça retirou o sigilo do material. O documento apresenta 52 mensagens que indicariam proximidade entre o ex-banqueiro e Alexandre de Moraes.
A Procuradoria-Geral da República pediu a anulação do relatório, apontando irregularidades no avanço da investigação sobre um ministro do STF sem aval do plenário.
Reação
Em resposta, Moraes divulgou dados sugerindo que Mendonça teria direcionado as investigações para atingir desafetos. O magistrado também pediu a investigação de Mendonça por abuso de autoridade.

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