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Economia

Previsão de inflação para este ano sobe para 4,36%

Analistas ajustam expectativas pela quarta semana consecutiva, impactados pelo cenário geopolítico no Oriente Médio.

Redação RCWTV
Por Redação RCWTV
Previsão de inflação para este ano sobe para 4,36%
© Joédson Alves/Agência Brasil
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A projeção do setor financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o indicador oficial da inflação brasileira, foi reajustada de 4,31% para 4,36% para o ano corrente. Este dado consta no Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (6) pelo Banco Central (BC), que compila as expectativas de diversas instituições financeiras sobre os principais indicadores econômicos.

Diante das incertezas geradas pelo conflito no Oriente Médio, a estimativa inflacionária para o ano foi revisada para cima pela quarta semana consecutiva. Apesar do aumento, a projeção ainda se encontra dentro da margem de tolerância estabelecida para a meta inflacionária que o Banco Central busca alcançar.

Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta central para a inflação é de 3%, com uma banda de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Isso significa que o piso é de 1,5% e o teto é de 4,5%.

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No mês de fevereiro, a inflação oficial atingiu 0,7%, impulsionada principalmente pelos aumentos nos setores de transportes e educação, representando uma aceleração em comparação com os 0,33% observados em janeiro. Contudo, o IPCA acumulado nos últimos 12 meses registrou uma queda para 3,81%, situando-se abaixo dos 4% pela primeira vez desde maio de 2024.

Os dados da inflação referentes a março, que já podem refletir os potenciais efeitos do conflito no Oriente Médio, serão publicados na próxima quinta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para o ano de 2027, a previsão inflacionária foi ligeiramente ajustada de 3,84% para 3,85%. Já para os anos de 2028 e 2029, as estimativas apontam para 3,6% e 3,5%, respectivamente.

Taxa Selic

Com o objetivo de atingir a meta inflacionária, o Banco Central emprega a taxa básica de juros, a Selic, como sua principal ferramenta. Atualmente, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC a fixou em 14,75% ao ano. Na reunião anterior, ocorrida no mês passado, o colegiado optou por uma redução unânime de 0,25 ponto percentual na Selic. Contudo, antes da intensificação do conflito na região do Irã, a maioria das projeções indicava um corte mais expressivo, de 0,5 ponto percentual.

A Selic, que chegou a 15% ao ano, representou o patamar mais elevado desde julho de 2006, quando foi estabelecida em 15,25% ao ano. Entre setembro de 2024 e junho de 2025, a taxa foi ajustada para cima em sete ocasiões consecutivas, permanecendo inalterada nas quatro reuniões posteriores.

Depois de um longo período de estabilidade da taxa, esperava-se o início de um ciclo de cortes. No entanto, frente às incertezas geradas pelo conflito no Oriente Médio, o Banco Central considera a possibilidade de reavaliar essa trajetória de queda, se as condições assim exigirem.

A próxima reunião do Copom, destinada a determinar o novo patamar da Selic, está agendada para os dias 28 e 29 de abril.

Na presente edição do Boletim Focus, a projeção dos especialistas de mercado para a taxa básica de juros até o final de 2026 permaneceu em 12,5% ao ano. Para os anos de 2027 e 2028, a expectativa é de que a Selic seja gradualmente reduzida para 10,5% e 10% ao ano, respectivamente. Em 2029, a taxa deve alcançar 9,75% ao ano.

Ao elevar a Selic, o Copom visa controlar o consumo excessivo, impactando os preços. Isso ocorre porque juros mais elevados encarecem o acesso ao crédito e incentivam a poupança, podendo, consequentemente, frear o crescimento econômico.

É importante notar que as instituições bancárias levam em conta outros elementos ao estipular as taxas de juros para os consumidores, tais como o risco de calote, a margem de lucro desejada e os custos operacionais.

Por outro lado, a diminuição da Taxa Selic geralmente resulta em crédito mais acessível, o que estimula tanto a produção quanto o consumo. Embora possa haver uma menor contenção da inflação, essa medida tende a impulsionar a atividade econômica.

PIB e câmbio

Nesta edição do relatório do Banco Central, a projeção das instituições financeiras para a expansão da economia brasileira neste ano foi mantida em 1,85%.

A previsão para o Produto Interno Bruto (PIB), que representa a totalidade dos bens e serviços gerados no país, para 2027, foi fixada em 1,8%. Já para os anos de 2028 e 2029, o mercado financeiro projeta um crescimento do PIB de 2% para cada período.

Conforme dados do IBGE, a economia brasileira expandiu-se em 2,3% em 2025. Este crescimento, que marcou o quinto ano consecutivo de alta, foi observado em todos os setores, com um desempenho notável da agropecuária.

Ainda no Boletim Focus desta semana, a expectativa para a cotação do dólar ao término deste ano é de R$ 5,40. Para o final de 2027, a projeção para a moeda norte-americana é de R$ 5,45.

FONTE/CRÉDITOS: Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil

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