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Domingo, 08 de Novembro 2026
Juiz de Fora

Pesquisadores da UFJF analisam o integralismo em livro publicado pelo Tribunal Superior Eleitoral

Obra do TSE aborda eleições entre 1932 e 1937 e destaca a atuação do integralismo no sistema eleitoral brasileiro

Talia Santana
Por Talia Santana
Pesquisadores da UFJF analisam o integralismo em livro publicado pelo Tribunal Superior Eleitoral
Twin Alvarenga
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Pesquisadores da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) participam da obra “Eleições na primeira fase da Justiça Eleitoral (1932–1937)”, publicada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O livro reúne estudos que analisam a reorganização política do Brasil após a Revolução de 1930 e os desafios enfrentados pela recém-criada Justiça Eleitoral na condução das primeiras eleições sob o novo modelo institucional.
Os docentes Leandro Pereira Gonçalves e Odilon Caldeira Neto, vinculados ao Programa de Pós-Graduação em História (PPGH) da UFJF, são autores do capítulo “Fascismo nas urnas: o integralismo nas eleições”. O texto examina a atuação da Ação Integralista Brasileira (AIB) no contexto das transformações introduzidas pelo Código Eleitoral de 1932.
A coletânea é organizada pelos professores Paolo Ricci, da Universidade de São Paulo (USP), e Jaqueline Porto Zulini, da Fundação Getulio Vargas (FGV), e integra o terceiro volume da série “Eleições na República”. A obra conta com apresentação da ministra do Supremo Tribunal Federal e presidente do TSE, Cármen Lúcia, e está disponível gratuitamente na Biblioteca Digital da Justiça Eleitoral e no Catálogo de Publicações do Tribunal.

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No capítulo elaborado pelos pesquisadores da UFJF, o integralismo é analisado para além de sua caracterização como movimento de massa. O estudo evidencia sua estruturação como partido político nacional e sua inserção no sistema eleitoral organizado pela Justiça Eleitoral. Segundo Leandro Gonçalves, a análise parte da compreensão da cultura política integralista para explicar o comportamento do movimento nas disputas eleitorais.
De acordo com o pesquisador, os integralistas mobilizavam eleitores não apenas em torno de candidaturas, mas de uma causa ideológica estruturada, baseada em valores, símbolos e em uma visão de mundo autoritária e nacionalista. O capítulo também destaca a ampla capilaridade do movimento, com núcleos espalhados por diversas regiões do país, e o uso estratégico da propaganda política como ferramenta de mobilização.
O estudo aborda ainda a forma como o integralismo se apropriou das mudanças trazidas pelo Código Eleitoral de 1932, que instituiu o voto secreto, o sufrágio feminino e a própria Justiça Eleitoral. Para Odilon Caldeira Neto, essas inovações abriram espaço para a atuação de movimentos ideológicos fora das estruturas políticas tradicionais.
Segundo o pesquisador, mesmo ao participar das eleições, o integralismo manteve seus princípios autoritários e um discurso fortemente anticomunista, utilizando a política institucional como estratégia de ampliação de influência. O capítulo também contribui para reflexões contemporâneas sobre a presença de grupos antidemocráticos em processos eleitorais.
Para os autores, a participação na publicação do TSE representa um reconhecimento institucional da produção acadêmica desenvolvida na UFJF. Eles destacam que a presença da universidade em uma obra de alcance nacional reforça a relevância das pesquisas realizadas em Minas Gerais e o compromisso da universidade pública com o debate democrático.
Publicada no Dia da Justiça, a obra “Eleições na primeira fase da Justiça Eleitoral (1932–1937)” analisa temas como a constitucionalização do período, a participação das mulheres nas eleições e os impactos da modernização do voto no Brasil. O livro é resultado de cooperação entre o TSE, a USP e a FGV e integra um projeto voltado à preservação e à difusão da memória eleitoral brasileira. A publicação pode ser acessada gratuitamente nas plataformas oficiais do Tribunal.

 

 
 
 
 

 

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FONTE/CRÉDITOS: UFJF-MG

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