Aguarde, carregando...

Quarta-feira, 10 de Junho 2026
Saúde

Pesquisa mineira desenvolve tecnologia para garantir leite materno mais nutritivo a bebês prematuros

Parceria entre Epamig ILCT e Fiocruz adapta técnicas da indústria de laticínios para melhorar o valor nutricional do leite humano e reduzir a mortalidade neonatal

Flávia C Pinto
Por Flávia C Pinto
Pesquisa mineira desenvolve tecnologia para garantir leite materno mais nutritivo a bebês prematuros
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

Bebês prematuros internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) neonatais poderão receber um leite materno mais nutritivo e completo graças a uma pesquisa desenvolvida pelo Instituto de Laticínios Cândido Tostes, da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig ILCT), em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

O estudo, iniciado em 2019, adapta tecnologias utilizadas na indústria de laticínios para otimizar o aproveitamento do leite humano doado, reduzindo perdas de gordura e nutrientes essenciais. A iniciativa tem como objetivo ampliar a disponibilidade desse alimento e, consequentemente, reduzir a mortalidade entre bebês prematuros extremos — aqueles que nascem com menos de 1,5 quilo.

Parceria para inovação na nutrição neonatal

De acordo com a pesquisadora e professora da Epamig ILCT, Denise Sobral, o trabalho consiste em adaptar tecnologias industriais do leite para aplicação nos bancos de leite humano. “O trabalho consiste na adaptação de tecnologias usadas na indústria do leite para a aplicação em bancos de leite humano”, explica.

Publicidade

Leia Também:

A médica neonatologista Maria Elizabeth Moreira, pesquisadora da área de Nutrição Neonatal e Leite Materno para Prematuros na Fiocruz, destaca que a parceria entre as instituições era aguardada há quase duas décadas. “Esse casamento com a Epamig ILCT foi perfeito. Ainda mais, trabalhando essa questão junto ao Banco de Leite Humano do Instituto Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz). Quem vai se beneficiar muito disso serão os nossos bebês”, afirma.

Tecnologia de homogeneização do leite humano

Um dos projetos em andamento avalia o processo de homogeneização do leite humano, com o objetivo de evitar a perda de gordura e nutrientes durante o armazenamento e o transporte do leite destinado aos bebês internados em UTIs neonatais. A separação natural de fases e a perda de gordura são desafios recorrentes enfrentados pelos bancos de leite.

“A gordura do leite humano se separa naturalmente após a doação, nos processos de congelamento, descongelamento, transporte e pasteurização, ficando aderida aos frascos e sondas. Com isso, o leite oferecido nas UTIs neonatais acaba ficando parcialmente desnatado, quando o bebê precisaria de mais calorias para sobreviver”, explica Denise Sobral.

Segundo a pesquisadora, o processo desenvolvido utiliza um homogeneizador de pequeno porte, no qual o leite é forçado a passar por pequenos orifícios, dividindo os glóbulos de gordura em partículas menores que permanecem estáveis e não se aderem às superfícies.

Avanços e perspectivas da pesquisa

Na primeira fase dos experimentos, os pesquisadores definiram as melhores condições de processamento, avaliando diferentes pressões e temperaturas. Atualmente, a equipe trabalha para verificar se o leite homogeneizado preserva os nutrientes e os fatores imunológicos, além de simular seu comportamento em bombas de infusão, semelhantes às utilizadas nas UTIs neonatais.

“Estamos na fase pré-clínica. Visualmente, conseguimos distinguir o leite homogeneizado daquele que não passou pelo processo. É perceptível que não há separação de fases. Também estamos simulando a alimentação por sonda e bombas de infusão”, detalha o gestor do Laboratório de Controle de Qualidade de Leite Humano da Fiocruz, Jonas Borges da Silva.

Segundo Jonas, se os resultados continuarem positivos, os testes clínicos deverão começar em 2026. “Esperamos que esse trabalho resulte no aumento da disponibilidade de conteúdo calórico no leite humano fornecido para bebês internados em UTIs neonatais”, afirma.

A neonatologista Maria Elizabeth Moreira, responsável pela pesquisa clínica, reforça que o leite passará por avaliações de segurança, eficiência e possíveis efeitos adversos antes de ser disponibilizado aos bebês. “Ao final, queremos ofertar um leite humano totalmente aproveitado por esses prematuros, impactando no crescimento, no neurodesenvolvimento e no peso de cada bebê”, diz.

Os resultados obtidos até agora são animadores. “Estou muito orgulhosa de participar desse projeto. Acredito que, em breve, vamos conseguir oferecer um leite de melhor qualidade para esses bebês que precisam tanto”, celebra Denise Sobral.

Na RCWTV, você encontra informação com responsabilidade e credibilidade. Acompanhe nossos conteúdos e fique por dentro das principais notícias de Juiz de Fora, Minas Gerais e do Brasil. Acesse www.rcwtv.com.br e entre também no nosso grupo de WhatsApp para receber atualizações direto no seu celular.

FONTE/CRÉDITOS: EPAMIG

Comentários

O autor do comentário é o único responsável pelo conteúdo publicado, inclusive nas esferas civil e penal. Este site não se responsabiliza pelas opiniões de terceiros. Ao comentar, você concorda com os Termos de Uso e Privacidade.
Flávia C Pinto

Publicado por:

Flávia C Pinto

Flávia C. Pinto

Saiba Mais

Não possui uma conta?

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!
WhatsApp RCWTV
Envie sua mensagem, estaremos respondendo assim que possível ; )
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR