O Instituto Antônio Ernesto de Salvo (Inaes) e a multinacional ADM firmaram uma parceria para fortalecer a bioeconomia do jenipapo no Norte de Minas e no Vale do Jequitinhonha. A ação visa capacitar pequenos produtores e extrativistas rurais, transformando recursos naturais da Caatinga e do Cerrado em renda sustentável.
As regiões atendidas possuem alguns dos menores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do estado. Por isso, a proposta prioriza o extrativismo sustentável com rastreabilidade, remuneração justa e agregação de valor às espécies nativas.
Segundo Guilherme Chaves Andrade, analista de planejamento do Inaes, o projeto busca diversificar os ganhos no campo enquanto gera incentivos econômicos para manter as florestas em pé, agregando valor a um fruto antes subvalorizado.
Estruturação e suporte à cadeia produtiva
O plano de ação envolve o mapeamento dos pés de jenipapo, a mobilização dos agricultores com suporte dos Sindicatos dos Produtores Rurais e a capacitação das equipes de coleta. O Inaes é o responsável por coordenar as operações em campo.
O Sistema Faemg Senar atua nos treinamentos com foco em segurança no trabalho, manejo dos frutos, técnicas de colheita e padronização. A primeira etapa de coleta foi realizada em julho, no município de Rubim (MG).
Os produtores interessados participam mediante a assinatura de um termo de adesão. A utilização de equipamentos adequados visa garantir a segurança dos coletores, evitar perdas e manter a qualidade do fruto.
Jonas Pagassini, especialista em Agronomia da ADM, ressalta que capacitar os produtores e conectar agentes da cadeia agrícola é fundamental para impulsionar o desenvolvimento estruturado da bioeconomia local.
Conservação e valorização da floresta em pé
Ao transformar o jenipapo em um ativo valioso, a iniciativa estimula a manutenção da cobertura vegetal. A conservação passa a ser economicamente mais rentável para o produtor do que converter a área em pastagens.
A cooperação integra o ADM Cares, programa global voltado à agricultura sustentável e conservação ambiental. O ciclo de 2026 servirá para avaliar o potencial produtivo e consolidar o modelo em Minas Gerais.

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