O Ministério Público Eleitoral defende que o Tribunal Superior Eleitoral barre a candidatura de Márcio Canella, deputado estadual eleito no primeiro turno das eleições deste ano no Rio de Janeiro. Em parecer enviado à Corte nessa sexta-feira, o Ministério Público sustenta haver provas suficientes de envolvimento do político com organizações criminosas.
⚡ Fatos Verificados / Em Resumo:
- MP Eleitoral enviou parecer ao TSE pedindo para barrar candidatura.
- Deputado eleito no RJ é apontado por suposto vínculo com o crime organizado.
- Defesa cita investigações da Operação Unha e Carne.
Canella foi preso no último dia quinze, na oitava fase da Operação Unha e Carne, que apura esquema criminoso de lavagem de dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis no estado. O vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa, pede a reforma da decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro que havia liberado a candidatura.
Envolvimento em esquema e operações
O vice-procurador-geral sustenta que o Tribunal Superior Eleitoral já consolidou entendimento para impedir que políticos ligados a organizações paramilitares participem da disputa, baseando-se no artigo dezessete da Constituição Federal. O parecer aponta Canella como articulador no esquema de combustíveis, com indícios de influência na indicação de cargos na segurança pública e recebimento de dinheiro em espécie.
Na sexta fase da Operação Unha e Carne, deflagrada em julho deste ano, a Polícia Federal apreendeu em endereços do candidato novecentos e dezenas de milhares de reais em espécie, dólares e um fuzil de uso restrito. O sigilo do inquérito no Supremo Tribunal Federal foi retirado este mês após a prisão do político, permitindo o acesso às novas provas.
Indícios de ligação com milícias
A manifestação aponta que Canella empregou em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro a esposa de um líder de milícia conhecido como Bonde do Jura. Ao assumir a prefeitura de Belford Roxo em dois mil e vinte e cinco, ele teria nomeado líderes de milícias para duas secretarias, sendo um já condenado e outro respondendo a processo.
O documento menciona ainda que, durante a gestão na prefeitura, a Operação Barricada Zero envolveu acordos informais com o Comando Vermelho para liberação temporária de acessos a comunidades. O parecer conclui existirem elementos seguros da infiltração de lideranças milicianas na administração pública por intermédio do candidato e de sua atuação como articulador.
*Com informações oficiais de Ministério Público Federal (MPF).
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