O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) desarticulou uma organização criminosa, composta por 22 pessoas, no município de Itajubá, no Sul de Minas, por associação ao PCC (Primeiro Comando da Capital). A 4ª Promotoria de Justiça do Município ofereceu denúncia à Vara Criminal da comarca, baseada no acompanhamento da investigação realizada pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG).
“Os denunciados participaram da organização criminosa como membros efetivos ou colaboradores, desempenhando funções específicas como tráfico de drogas, comércio e porte ilegal de armas de fogo, atentados contra a vida de inimigos de outras organizações ou contra agentes de segurança pública”, explica a Promotoria.
Na Ação Penal, proposta pelo promotor de Justiça Otávio de Almeida Cabral, o MPMG “manifesta-se favoravelmente à expedição de mandados de busca e apreensão; à autorização de compartilhamento de provas e de utilização do veículo apreendido pela Polícia Judiciária; à imposição de regime disciplinar diferenciado, com recambiamento de presos, se for o caso; e, finalmente, à decretação da prisão preventiva dos denunciados, nos termos da representação da Autoridade Policial”.
Sequestros, torturas e planejamento de atentado
O MPMG pontua que muitos dos denunciados praticaram crime de tortura – contra membros da organização ou pessoas a ela relacionadas – com o objetivo de obter confissões ou informações. Nove dos 22 denunciados sequestraram e torturaram um adolescente do grupo. Outras duas vítimas, da própria organização criminosa, também foram sequestradas. Nesse segundo caso, onze pessoas, dentre os denunciados, tiveram envolvimento no crime. Os nomes dos envolvidos não foram divulgados.
As investigações apontaram, ainda, que havia um plano em curso, articulado pelos líderes da organização, para executar atentados contra agentes de segurança pública. Por esse motivo, o MPMG recomenda que, além da prisão, seja adotado um “regime disciplinar diferenciado para coibir a intensa atividade dos denunciados, como medida de segurança imediata”.
Anteriormente, em agosto deste ano, a Polícia Civil também prendeu, durante a Operação "Caronete", outros 21 suspeitos no Município de envolvimento com o crime organizado e as práticas de sequestro, cárcere privado e tortura.
O Primeiro Comando
O PCC é o grupo criminoso de maior poder e influência no Brasil e no restante da América do Sul. Com um poder paralelo consolidado e cerca de 35 mil membros, o Primeiro Comando cria conexões nacionais e internacionais para o tráfico de drogas, domina prisões e favelas, tem rituais secretos e seu próprio “Tribunal do Júri”, decidindo quem vive e quem morre.
