A segunda live promovida pelo Departamento de Saúde Mental (DESM) da Secretaria de Saúde (SS) será voltada à reflexão sobre a luta antimanicomial e vai expor trabalhos realizados pelo Núcleo de Saúde Mental Álcool e Drogas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), como a websérie: “Morar em Liberdade - Retratos da Reforma Psiquiátrica.”. A transmissão será realizada pelo Facebook da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) a partir das 15h desta quarta-feira, 19.
O primeiro episódio da websérie “Morar em Liberdade - Retratos da Reforma Psiquiátrica” traz relatos de situações que aconteceram em Juiz de Fora. Nele, há depoimentos de pacientes que, décadas atrás, passaram pela experiência de internamentos em hospitais psiquiátricos e relatam práticas como a de dopar internos, isolá-los e até agredi-los fisicamente. Hoje, eles são atendidos em residências terapêuticas, com tratamento humanizado. O episódio será tratado ao longo do encontro desta quarta-feira.
A live será mediada por Rosane Jaques, psicóloga do Centro de Convivência do DESM, e contará com as participações Fernanda Severo, integrante do Núcleo de Saúde Mental Álcool e Drogas da Fiocruz e professora do Mestrado Profissional de Políticas Públicas em Saúde da instituição, e de Altair Pinheiro, que falará sobre suas experiências no antigo modelo de abordagem da saúde mental no Brasil e sobre a evolução ocorrida nos últimos anos.
Assim como na websérie, e outros materiais lançados pelo grupo de pesquisadores da Fiocruz, a live contará com depoimentos importantes. “Altair e tantos outros usuários da saúde mental são sobreviventes e testemunhas de um capítulo trágico da história brasileira, chancelado pela medicina e pelo aparato político-jurídico que hoje reconstroem suas vidas valendo-se da Rede de Atenção Psicossocial, dispositivos do cuidado em liberdade de base territorial do Sistema Único de Saúde”, relata Fernanda.
Fernanda reflete, que, historicamente, os movimentos da luta antimanicomial reivindicam a construção de uma sociedade inclusiva e menos desigual e que a Constituição de 1988 foi um marco para humanizar a assistência às pessoas com sofrimento psíquico. “A garantia dos direitos humanos das pessoas que vivem com sofrimentos psíquicos, passa pelo lugar de fala e direito à comunicação. E, foi esse lugar de auto expressão e representatividade que procuramos com a websérie,” afirma.
Grupo também produziu livro e artigos sobre o tema
Além da websérie, o grupo lançou um livro e publicou artigos e ensaios, como na revista Saúde em Debate - Retratos da Reforma Psiquiátrica Brasileira. Fernanda Severo é autora de um dos artigos, juntamente com os também pesquisadores Yuri Prado e André Guerrero, em que eles abordam o tema: “Reforma Psiquiátrica Brasileira e sua Discussão Parlamentar - Disputas Políticas e Contrarreforma”.
Em livro, também denominado “Morar em Liberdade - Retratos da Reforma Psiquiátrica”, os pesquisadores apresentam um pouco da vida cotidiana atual dos ex-pacientes, egressos do sistema psiquiátrico, e dos trabalhadores que vêm reconstruindo essas existências pelo convívio social. Os homens e mulheres que sobreviveram a violações de direitos, maus tratos e torturas nesses locais são testemunhos da potência da vida e da rede de recursos do cuidado e da assistência de base territorial promovida no Brasil.
Em passagens por Juiz de Fora, Barbacena e Paracambi (RJ), para a produção da websérie e do livro, eles encontraram pessoas que vivenciaram longas internações psiquiátricas e hoje reinventam jeitos de habitar a cidade, circulando pelas ruas e conquistando novos lugares sociais. Mais do que sobreviventes e testemunhas, os pesquisadores relatam que encontraram provas vivas das reinvenções humanas e da esperança brotada da desinstitucionalização.
Episódio 1: https://www.youtube.com/watch?v=6WXi5QX_3pg